capítulo vii
A Reconquista da Democracia
Itamar Augusto Cautiero Franco
Ivaldo Cavalcante / Acervo Hoje em Dia
1999 • 2003
Itamar Franco
1º jan 1999 a 1º jan 2003
Partido: PMDB
Eleições: diretas
Votos: 3.080.925i
Parceria com o destino

Itamar Augusto Cautiero Franco, cuja trajetória política singular quase sempre pode ser ilustrada pela máxima do “homem certo, na hora certa”, tomou posse no Governo de Minas exatos quatro anos depois de deixar a Presidência da República, que assumira em dois de outubro de 1992, em razão do afastamento i do presidente Fernando Collor de Mello. Após a escalada de denúncias de corrupção e escândalos que levaram ao pedido de impeachment e à renúncia do “caçador de marajás” - ícone com o qual Collor projetara-se em 1989, na primeira eleição presidencial direta desde 1960 -, Itamar Franco assumia assim a Presidência em um momento político grave, marcado ainda pelo longo período de recessão econômica e pela inflação desenfreada.

Antes disso, em 1974, a estrela de Itamar já o colocara no lugar certo e na hora certa na disputa por uma vaga no Senado pelo MDB. Então prefeito de Juiz de Fora, cargo para o qual fora eleito para um segundo mandato em 1972, ele aceitara o desafio de concorrer pela oposição e renunciou ao mandato municipal. Diante da força avassaladora da ARENA governista em todo o País, poucos acreditavam nas chances da oposição, mas nas urnas os emedebistas colheriam vitória surpreendente, fruto tanto crescimento do descontentamento com o regime militar, quanto dos efeitos da primeira crise mundial do petróleo.

Em Minas, a vitória de Itamar foi consagrada ainda por um episódio inusitado: à época, a propaganda eleitoral na TV era ao vivo e o candidato emedebista, acusado pelo adversário José Augusto de Castro de fugir aos debates, invadiu o estúdio do programa da ARENA e anunciou que chegara para debater. Atônito, o apresentador respondeu que o candidato estava viajando, mas Itamar retrucou não saber, disse que iria esperá-lo e revidou repetidamente que era José Augusto quem fugia aos debates i, até o programa ser tirado do ar i. Em seguida, entretanto, José Augusto irrompeu no estúdio e, com um porrete na mão, procurou Itamar, que já tinha deixado o local. A briga acabou não ocorrendo, mas o episódio foi flagrado pelo então repórter da “Veja”, Carlos Lindenberg, e pelo fotógrafo Célio Apolinário, e foi a gota d’água contra o candidato da ARENA, lembra Itamar i.

Se em 1974 a artimanha contribuiu para a vitória inesperada, nos anos seguintes ela alimentaria a imagem de um político corajoso e determinado que Itamar inspira até hoje.

Fernando Collor de Mello
Carlos Alberto / Acervo Hoje em Dia

O amigo e conselheiro José Aparecido de Oliveira, falecido em 2007, dizia que “Itamar é parceiro do destino i” e, de fato, momentos marcantes da trajetória do ex-governador, como a candidatura ao Senado em 1974 e a posse na Presidência em 1992, confirmam as suas palavras. Mas nem sempre a estrela de Itamar brilhou em céus de brigadeiro. Como em 1986, quando, sem a sinalização de apoio do governador Hélio Garcia, ele deixou o PMDB para filiar-se ao PL e concorreu ao Palácio da Liberdade, perdendo para Newton Cardoso. Ou em março de 1998, quando foi hostilizado na convenção nacional do PMDB i - ao qual retornara depois de passar pelo PL e pelo PRN -, levando-o a se decidir pela disputa do Governo de Minas.

Raízes em Juiz de Fora

Itamar Franco nasceu em 28 de junho de 1930, a bordo de um navio que fazia a rota Rio de Janeiro/Salvador. Caçula entre os quatro filhos do engenheiro Augusto César Stiebler e de Itália Cautiero Franco, ele foi registrado em Salvador, mas batizado e criado em Juiz de Fora, onde a família tinha raízes de descendência alemã, por parte do pai, e italiana, por parte da mãe, mas ambos nasceram em Minas. Itamar não chegou a conhecer o pai, pois ele contraiu malária quando trabalhava nas obras de saneamento das palafitas de Alagados, na capital baiana, falecendo aos 32 anos i.

Itamar estudou no Jardim Mariano Procópio e fez o primário e o secundário no tradicional Instituto Metodista Granbery, cuja primeira turma de alunos remonta a 1890. Cursou Engenharia Civil e Eletrotécnica na Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, formando-se em 1954 e sendo o orador da turma. Viúva, Dona Itália lutava com dificuldades para sustentar a família e os próprios filhos - dois homens e duas mulheres - tiveram de trabalhar desde muito cedo. Ao caçula Itamar, cabia a função de entregar marmitas, mas isso não prejudicou os seus estudos. Foi também um dedicado esportista na juventude, até titular do time de basquete da faculdade.

A política o arrebatou na universidade. Itamar foi presidente do DA da Engenharia por dois mandatos (1952 e 1953) e também da Liga Universitária Juiz-Forana de Esportes. Além de dedicar-se às atividades acadêmicas e ao movimento estudantil, ele continuou trabalhando, primeiro como auxiliar de estatísticas do IBGE e depois como topógrafo do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento e como desenhista e auxiliar técnico do Sesi, tornando-se em seguida chefe do setor de engenharia. Logo depois de formado, Itamar seria também eleito presidente do Clube de Engenharia de Juiz de Fora.

Acervo Hoje em Dia

Inspirado pelos trabalhos do intelectual Alberto Pasqualini, Itamar filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro - PTB e o batismo das urnas ocorreria na disputa por uma vaga na Câmara de Vereadores de Juiz de Fora. Embora bem votado, ele não foi eleito e já no pleito seguinte, em 1960, seria candidato à vice-prefeito pelo partido de João Goulart, também sem sucesso. Enquanto isso, transcorria a sua vida profissional, sendo Itamar diretor de diversas empresas, como a Curtume Krambeck, a Itec Engenharia e Construção, a Biokret, a Imobiliária Paranoá e a Sândalo Incorporadora de Imóveis, com atuação também em obras de dragagem de rios em Minas e no Espírito Santo.

Em 1962, Itamar tornou-se diretor da Divisão Industrial da Prefeitura de Juiz de Fora, órgão responsável pelos serviços de água, esgoto, saneamento, matadouro público e até cemitérios. Promoveu, então, uma profunda reforma na divisão, criando o Departamento de Águas e Esgotos, pioneiro no País. Com o golpe militar, o prefeito Ademar Andrade demitiu-o da Prefeitura e em 1965, após a extinção dos partidos, ele filiou-se ao MDB e, no ano seguinte, seria escolhido, por unanimidade na convenção do partido, como candidato a prefeito. Nas urnas, a vitória seria agora retumbante: na soma de votos, o MDB teve 75% e Itamar foi o mais votado entre os três candidatos do partido i nas primeiras eleições municipais realizadas pós-1964, em uma das poucas cidades brasileiras em que o Comando Militar não tinha como base a capital. Vem desse primeiro mandato o estilo peculiar que caracteriza a sua trajetória como administrador público, de fiscalizar com rigor os seus colaboradores e de sempre rebater os opositores com dados que possam comprovar o equívoco de uma crítica i.

Depois de concluir o curso de extensão em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Itamar retornou novamente à Prefeitura de Juiz de Fora em 1972, mas a vitória seria então apertada, com apenas 302 votos à frente do candidato da ARENA, Francisco Antônio de Melo Reis.

No cenário nacional

Entre os amigos, José Aparecido (à esquerda), e Raul Belém
Ivaldo Cavalcante / Acervo Hoje em Dia

Nas eleições de 1974, a condição de candidato à única vaga em disputa para o Senado caberia, naturalmente, ao então deputado federal Tancredo Neves, líder do MDB de Minas. Porém, Tancredo decidira concorrer à reeleição e, em suas articulações, chegou ao nome do prefeito de Juiz de Fora para disputar a vaga ao Senado. Em um almoço em São João Del Rei, Tancredo confirmou que não sairia candidato e Itamar, então, perguntou se Renato Azeredo e Jorge Ferraz - as outras duas lideranças maiores do MDB - pleiteavam a candidatura. Pelo telefone, ambos disseram que também não disputariam. Assim, com o terreno livre, Itamar manifestou a Tancredo sua disposição de disputar o Senado, desde que tivesse o apoio de todos, como ocorreria na convenção do MDB i.

Eleito com 1,4 milhão de votos, Itamar logo se destacaria no Senado como parlamentar atuante e de coragem. Foi presidente das comissões de Economia e de Finanças e da CPI sobre o acordo nuclear Brasil-Alemanha. Em seu primeiro mandato no Senado, ele seria ainda titular das comissões de Serviço Público, Educação e Cultura, Minas e Energia e Relações Exteriores, bem como da comissão mista do Congresso, encarregada de analisar o projeto de anistia do governo, finalmente conquistada em 1979.

No velho MDB, do qual foi vice-líder, Itamar identificava-se com o grupo autêntico e, com o fim do bipartidarismo, seria um dos fundadores do PMDB em 1980 e o seu primeiro presidente em Minas. Assim, era agora ele o candidato natural do partido ao governo nas eleições de 1982, até que o Congresso, visando beneficiar os candidatos do PDS governista, estabeleceu a obrigatoriedade do voto vinculado a um só partido e Tancredo Neves i, em resposta, propôs a fusão das oposições. Apenas o PMDB aceitou e o PP integrou-se então ao partido, sendo Tancredo sacramentado como candidato ao Palácio da Liberdade e Itamar à reeleição.

De volta ao Senado para um segundo mandato em 1983, Itamar se destacaria no movimento Diretas Já e foi presidente da comissão mista encarregada de analisar a emenda constitucional do deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT), que restabelecia as eleições diretas para presidente da República. Com a rejeição da emenda pelo Congresso Nacional, Itamar assinou, a pedido dos então deputados peemedebistas, Pimenta da Veiga e Manoel Costa, um documento contra a participação das oposições no Colégio Eleitoral. Entretanto, como eles, o senador convenceu-se da importância da eleição de Tancredo Neves e José Sarney, mesmo que pela via indireta, apoiando-os no Colégio Eleitoral em 1985.

No ano seguinte, Itamar Franco concorreria pela primeira vez ao Governo de Minas por uma ampla coligação de partidos i, reunidos no Movimento Democrático Progressista, e conquistou 2,5 milhões de votos, contra 2,8 milhões de Newton Cardoso. Com a derrota, o senador voltou suas atenções para o Congresso Nacional i, então já às voltas com o processo de elaboração da nova Constituição brasileira, finalmente aprovada em outubro de 1988.

Com o ministro Fernando Henrique
Ivaldo Cavalcante / Acervo Hoje em Dia

Naquele ano, Itamar teria também participação ativa na CPI da Corrupção, instalada pelo Senado em fevereiro para investigar denúncias envolvendo ministros do Governo Sarney e a distribuição de concessões de rádio e TVs para parlamentares i, em troca da extensão do mandato presidencial de quatro para cinco anos. O relatório da CPI, da qual Itamar foi vice-presidente, seria aprovado em novembro e afirmava que o presidente tinha conhecimento das irregularidades. A comissão propunha ainda o enquadramento e a abertura do processo de impeachment de Sarney, mas a proposta foi arquivada pelo presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira, em 1989. Sem o apoio de Itamar e do senador Severo Gomes, também membro da CPI, alguns senadores recorreram então ao Supremo Tribunal Federal - STF, mas sem sucesso.

Enquanto isso, de Alagoas já emanava a imagem, sedutora, de “caçador de marajás” do seu jovem governador, como o candidato à Presidência da República. O tema do combate à corrupção seria, desta forma, o elo da aproximação entre Collor e Itamar, concretizada, depois i, na dobradinha que venceu as eleições presidenciais, em segundo turno, em dezembro de 1989, com mais de 35 milhões de votos, contra 31 milhões da chapa encabeçada pelo candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

Rumo à Presidência da República

Se na campanha eleitoral o relacionamento entre Collor e ele já “não era bom”, como resume o próprio Itamar, o distanciamento acentuou-se a partir do início do governo, em 1990. Apesar disso, em todos os episódios polêmicos que marcaram o Governo Collor, do confisco da poupança e dos Planos Collor I e II às denúncias de corrupção, que envolveram o presidente e o seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, entre outros, e vitimaram o próprio governo em setembro de 1992, o vice-presidente manteve-se sempre discreto, agindo com “lisura”, sobretudo durante o processo de impeachment, ele afirma.

Com o senador Arlindo Porto (à esquerda) e Newton Cardoso
Breno Pataro / Acervo Hoje em Dia

Itamar assumiria interinamente a Presidência da República em dois de outubro, diante de um cenário político conturbado pela saída fulminante de Collor e uma grave crise econômica e social, com recessão prolongada e inflação galopante. No governo, que assumiu sem esperar i, Itamar montou o núcleo de sua equipe a partir do grupo de fiéis colaboradores i desde os tempos de Juiz de Fora e, por isso, logo batizado pela imprensa paulista como “República do pão de queijo”. Já no poderoso Ministério da Fazenda, três titulares assumiram a pasta entre cinco de outubro de 1992 e 21 de maio de 1993, quando Fernando Henrique Cardoso foi nomeado ministro i para executar o Plano de Estabilização Econômica, cujos objetivos eram combater a inflação, realizar o ajuste fiscal e zerar o déficit público.

Em julho daquele ano, a moeda perdeu mais três zeros, passando a chamar-se cruzeiro real. Seis meses antes, a Câmara aprovara um novo tributo, o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira - IPMF i e em abril o Governo Itamar privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional - CSN por 1,05 bilhão de dólares. A máquina de arrecadação de impostos foi também aperfeiçoada para combater a sonegação e as empresas, públicas e privadas, passaram a pagar a Contribuição Social sobre o Faturamento - Cofins. Com isso, foram criadas as condições para o lançamento de um projeto de longo prazo e o Plano Real - e a sua nova moeda, o real - seria anunciado finalmente pelo presidente Itamar em 30 de junho de 1994, pouco mais de dois meses após o ministro Fernando Henrique ter deixado o governo para concorrer à Presidência da República pelo PSDB.

Embalada pelos resultados econômicos positivos i e pela aprovação do Governo Itamar pela opinião pública, que chegara a 84% de “ótimo”, “bom” e “regular”, segundo pesquisa do Ibope, a candidatura de Fernando Henrique decolou. Nem mesmo o “episódio da parabólica”, em que o então ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, admitiu esconder informações desfavoráveis sobre a economia, sem saber que estava ao vivo22, abalou o favoritismo de Fernando Henrique, que venceu as eleições já no primeiro turno, com 54,3% dos votos válidos, ficando o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em segundo lugar, com 27%.

Depois de deixar a Presidência em janeiro de 1995, Itamar foi convidado pelo seu sucessor para a Embaixada do Brasil em Portugal, tomando posse em junho. Já em setembro do ano seguinte, ele assumiria a Embaixada do Brasil na Organização dos Estados Americanos - OEA, em Washington, nos Estados Unidos.

No Governo de Minas

De volta a Minas e ao PMDB em 1998, Itamar Franco, tendo como candidato a vice-governador Newton Cardoso, conquistaria finalmente o Governo do Estado, depois de vencer, em primeiro e segundo turno, o governador Eduardo Azeredo, candidato à reeleição pelo PSDB. E a partir da posse, em janeiro de 1999, ele teria um relacionamento conturbado com o Governo Federal e o presidente Fernando Henrique Cardoso, sobretudo em razão da sua decisão de retomar na Justiça o controle sobre a Cemig e de sua firme oposição à privatização de Furnas.

Itamar Franco, então candidato a vice de Collor, votando em 1989
Jorge Curi / Acervo Hoje em Dia

Na verdade, as divergências de Itamar com Fernando Henrique remontavam à discussão em torno da emenda que instituiu a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos, e da paternidade do Plano Real. Em 1997, Itamar fora contrário à proposta da reeleição, patrocinada pelo presidente Fernando Henrique em seu primeiro mandato e aprovada pelo Congresso Nacional. Quanto ao Plano Real, embora considere hoje “perda de tempo” discutir a sua paternidade, Itamar assinala:

“Um técnico pode elaborar o melhor programa, qualquer técnico. Agora, o técnico é que assina ou é o presidente da República? A responsabilidade é do técnico ou é do presidente? Se o filho fosse feio, eu tinha de sair pela porta dos fundos. Como o filho se tornou bonito, de repente...i

Já à frente do Governo de Minas, uma das primeiras medidas de Itamar foi demitir os diretores do consórcio que adquirira o controle de parte das ações da Cemig. Além disso, o governo entrou na Justiça para recuperar a estatal, entrando em rota de colisão com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, cuja exigência para “ajudar Minas” era a de que a empresa fosse entregue à iniciativa privada. Com isso, ele lembra que a maior estatal mineira pode então desencadear um amplo programa de investimentos em sete novos projetos, entre os quais destaca-se a construção da hidroelétrica de Irapé, no rio Jequitinhonha, para a qual apenas o governo investiu, a fundo perdido, mais de 75 milhões de reais.

No caso da venda de Furnas, que fora incluída pelo Governo Fernando Henrique no Programa Nacional de Desestatização i, Itamar engajou-se ativamente no movimento em defesa da estatal e, além de mobilizar a Polícia Militar, ameaçou até mesmo desviar os cursos dos rios Grande e Verde, no Sul de Minas, que abastecem a hidroelétrica de Furnas, caso a empresa fosse privatizada. Depois de sucessivos adiamentos, a venda da estatal acabou suspensa e ela seria, por fim, retirada do programa de desestatização no governo do presidente Lula.

A recuperação das finanças do Estado foi também outra prioridade. Segundo Itamar, quando assumiu o governo em 1999 o Estado tinha então dívidas da ordem de três bilhões de reais e a Cemig, por sua vez, de mais de um bilhão. Em pouco mais de dois anos, contudo, boa parte das dívidas foi quitada e o déficit primário, de cerca de um bilhão de reais ao ano, em média, foi eliminado, registrando-se até superávit. Como resultado, o governo pode pagar em dia os salários do funcionalismo estadual, sem demitir sequer um servidor público, ele registra.

No Governo Itamar, teria início também o programa de tratamento dos esgotos de Belo Horizonte e de Contagem. Com a Copasa reestruturada, seriam concluídas as obras da Estação de Tratamento de Esgotos - ETE do ribeirão Arrudas e iniciada a construção da ETE do ribeirão do Onça. O governo investiu, ainda, na área da segurança pública, por meio da reestruturação da Polícia Militar e da construção de 25 novos presídios, além da recuperação e reforma de 16 outras unidades. E implantou também o programa Bolsa-Escola para populações carentes no Jequitinhonha, entre outras ações na área social.

Depois do governo

Em 2002, Itamar Franco engajou-se na campanha do candidato do PSDB ao governo, Aécio Neves, e, no plano federal, apoiou a candidatura também vitoriosa de Lula, candidato do PT. Após a posse de Aécio Neves, o ex-governador foi indicado pelo novo presidente embaixador do Brasil na Itália, permanecendo no cargo até 2005. De volta ao Brasil e já na oposição ao Governo Lula, ele tentaria mais uma vez viabilizar a sua candidatura à Presidência da República pelo PMDB i, mas acabou desistindo em maio de 2006 e, em seguida, anunciou o seu apoio ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo. Em Minas, ele ainda tentaria concorrer ao Senado pelo PMDB, mas o ex-governador Newton Cardoso foi o escolhido na convenção do partido, perdendo as eleições. Já para o Governo de Minas nas eleições de 2006, Itamar apoiou a reeleição de Aécio Neves, que venceu novamente no primeiro turno.

Em 2009, o ex-presidente filiou-se ao Partido Popular Socialista (PPS), atual Cidadania, concorrendo no ano seguinte a uma das duas vagas para o Senado em dobradinha com Aécio Neves, e apoiando o candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-desafeto José Serra, que foi derrotado nas urnas pela mineira Dilma Rousseff, do PT. Eleito para um segundo mandato no Senado em outubro de 2010, Itamar Franco mal chegou a tomar posse, falecendo na manhã do dia dois de julho de 2011 por complicações causadas por uma leucemia.

Itamar foi casado com Ana Elisa Surerus Franco. Tiveram duas filhas, Georgina e Fabiana.

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