capítulo vii
A Reconquista da Democracia
Eduardo Brandão Azeredo
Ivaldo Cavalcante / Acervo Hoje em Dia
1995 • 1999
Eduardo Azeredo
1º jan 1995 a 1º jan 1999
Partido: PSDB
Eleições: diretas
Votos: 4.370.836 i
Tradição com perfil técnico

Primeiro governador de Minas Gerais nascido na capital, Eduardo Brandão Azeredo tomou posse no dia 1º de janeiro de 1995, aos 46 anos, após uma virada fulminante e inesperada nas eleições. Modesto no comportamento, discreto nos gestos, de família tradicional da política mineira, o ex-prefeito de Belo Horizonte saiu pacientemente de 5% na preferência do eleitorado para alcançar 27,1%, ser alçado ao segundo turno e enfrentar o favorito e experiente Hélio Costa, que desde o início esbarrava nos 50% nas pesquisas de opinião. Contou, para tanto, com o apoio do imbatível Hélio Garcia, no Palácio da Liberdade, que surpreendendo aliados e nomes fortes na disputa, indicou Eduardo seu candidato à sucessão e o acompanhou passo a passo na campanha. No segundo turno, venceu com 58,6% dos votos válidos, mais de 1,3 milhão de votos à frente do adversário.

Parecia que o destino havia escrito a história e Eduardo tinha a oportunidade de completar a trajetória do pai, o pessedista Renato Azeredo, deputado estadual e federal por diversas legislaturas, mas falecido em 1983, ainda no início da carreira do filho, que não demonstrava arroubos políticos. Eduardo Azeredo filiou-se ao PSDB pelas mãos do amigo João Pimenta da Veiga, na fundação do partido, em 1988, que o convidou, poucos meses depois, para compor a sua chapa como vice nas eleições à Prefeitura de Belo Horizonte. Eleitos, Pimenta da Veiga renunciaria ao cargo em abril de 1990, para se candidatar ao Governo de Minas, mas perderia ainda no primeiro turno. Enfrentaram-se, então, os dois “Hélios” e Hélio Garcia foi eleito governador.

Com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998
Edson Leite / Acervo Hoje em Dia

Eduardo Azeredo assumiu a Prefeitura e fez uma boa administração na capital, encerrando o mandato com excelente aprovação. Na campanha, somou ao apoio de Hélio o perfil de administrador, um discurso moderno e análises precisas, quesitos próprios de sua formação de engenheiro e da larga experiência em informática e estatística. No auge da disputa, por exemplo, argumentava que Belo Horizonte tinha apenas 13% do eleitorado de Minas, mas por apresentar um aproveitamento maior do voto do que no interior, eles se tornavam 17% dos votos válidos i. Arguto, Hélio Garcia cuidou de destruir o “xará” no interior, onde Azeredo era desconhecido: “dividir no interior para ganhar na capital” foi a fórmula vencedora. Hélio acrescentou, ainda, o vice Walfrido dos Mares Guia, do PTB, enquanto Hélio Costa cometia erros políticos, comprovando outra tese de Garcia: “em eleições, ganha quem não errar. i

Um expoente na informática

Eduardo Azeredo nasceu a nove de setembro de 1948, um dos seis filhos - dois homens e quatro mulheres - de Ruth Brandão e Renato Mário de Avelar Azeredo, advogado e político nascido em Sete Lagoas, que pertencia ao grupo de raposas do PSD de Tancredo Neves, depois filiado ao MDB e ao PMDB. Renato Azeredo foi prefeito indicado de Santo Antônio do Monte (1945/1946), deputado estadual em duas legislaturas (1955 a 1963), líder do PSD e subchefe da Casa Civil da Presidência da República no Governo Juscelino Kubitschek. Foi depois eleito deputado federal, de 1963 a 1982, e em 1983, quando deixou a Câmara Federal, para assumir a Secretaria de Governo e Coordenação política do Governo Tancredo Neves. Faleceu naquele ano. “Ao assumir o governo, sentia como alguém que realizava o sonho do pai e era algo muito maior do que jamais havia pensado”, afirma Eduardo Azeredo.

Criado próximo à Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, onde residia a família, Eduardo fez o primário no Instituto Santa Helena e seguiu o curso ginasial e Científico no Colégio Estadual Central. A primeira iniciativa política veio na faculdade, quando cursava Engenharia Mecânica no Instituto Politécnico da hoje Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e foi secretário do Diretório Acadêmico - DA do IPUC. Mas as ligações políticas da família são lembranças mais fortes: “Em 1954, eu tinha seis anos de idade, na primeira eleição que meu pai disputou para deputado estadual, e distribuía cédulas na rua da Bahia aos funcionários públicos que saíam do serviço na Praça da Liberdade”.

A princípio, parecia que o irmão Álvaro, mais novo, era o destinado a ser o político da família, já que Eduardo tinha predileção pela informática e dedicava-se ao trabalho. Ainda antes do curso de extensão em Engenharia Econômica que seguiria mais tarde, na Fundação Dom Cabral, passou em concurso para a multinacional IBM na década de 1970 e trabalhou na empresa por 11 anos, enquanto o irmão podia acompanhar mais o pai na vida política e chegou a se candidatar deputado, não seguindo a carreira.

Com Michel Temer, Aécio Neves e Júnia Marise, em 1997
Ivaldo Cavalcante / Acervo Hoje em Dia

Entretanto, a própria informática abriria portas na política ao futuro governador. Em 1974, na pioneira automatização das apurações eleitorais, e depois em 1978, atuou como fiscal do MDB e, nas eleições seguintes, do PMDB. Após a apuração manual, produziam-se os boletins que eram digitados e totalizados em computador em Belo Horizonte e fiscais especializados em informática acompanhavam os trabalhos. “Eram eleições complicadas, no regime militar; o SNI i tinha acesso aos boletins antes dos fiscais dos partidos; eu contei isso a Tancredo e o amigo Genival Tourinho fez a denúncia na imprensa, com estardalhaço”.

Eduardo Azeredo casou-se com Heloísa Penido, administradora de empresas, com quem tem três filhos: Renato, Ricardo e Gustavo. Dos bastidores da política em família e das apurações até 1982, foi convidado pelo governador Tancredo Neves para assumir a Presidência da Companhia de Processamento de Dados de Minas Gerais, a Prodemge, deixando a IBM. Foi uma grande experiência em administração pública, vista por dentro, já que a autarquia era a responsável pela informatização de todos os órgãos públicos do Estado, centralizando os bancos de dados antes do advento do microcomputador. Eduardo presidiria a empresa até o final do primeiro Governo Hélio Garcia. Homem da informática, foi, ainda, presidente da Prodabel, em Belo Horizonte, depois dirigente da Datamec, da Caixa Econômica Federal, e mais tarde, do Serviço Federal de Processamento de Dados, o Serpro, em 1994.

Na Prefeitura de Belo Horizonte

Quando empossado vice-prefeito de Belo Horizonte em 1989, não ficou no gabinete de vice; preferiu a Presidência da Prodabel e foi o responsável pela implantação do primeiro sistema de geoprocessamento da capital, pioneiro também no País, que revolucionaria as gestões municipais. Com a cidade inteiramente mapeada no computador, tornou-se possível, por exemplo, fazer a disposição dos alunos das escolas municipais pela proximidade de suas residências. Avenidas, ruas, praças, árvores e todos os imóveis foram cadastrados, inclusive visualmente, permitindo a expansão e redefinição do IPTU, o Imposto Territorial Urbano.

O prefeito Pimenta da Veiga, depois de enfrentar uma eleição duríssima para conquistar a Prefeitura de Belo Horizonte, vencendo o candidato petista, o deputado federal Virgílio Guimarães, por apenas 30 mil votos, havia tomado uma série de medidas austeras, nem sempre populares, visando ordenar as finanças da capital. Era a única estrela do PSDB para disputar o Palácio da Liberdade e, enquanto os demais partidos tentavam resolver problemas internos para definir suas candidaturas, deixou, convicto, a Prefeitura nas mãos do vice. “Minas e BH em boas mãos”, justificava o slogan otimista.

Com o governador Aécio Neves, então deputado federal, em 1997
Acervo Hoje em Dia

Mas coube à estrela de Azeredo colher e ampliar os resultados de suas medidas na capital. Como exemplo, o próprio IPTU, ampliado na base a partir do geoprocessamento da cidade, sofreu também reajustes fortes, que foram amargos para Pimenta, mas ao final da administração de Eduardo, Belo Horizonte já tinha dois terços de receitas próprias e pulara de um orçamento de 200 milhões de dólares/ano para 350 milhões.

Administração descentralizada

Ao assumir a Prefeitura a partir de abril de 1990, Azeredo deu continuidade a esse esforço de municipalização iniciado por Pimenta, sob os princípios descentralizadores da Constituição de 1988, e de implantação de políticas públicas, sob uma visão mais profissional em relação a administrações passadas, como ele próprio define. Na educação, eleita como prioridade, os investimentos anuais foram de 32% do orçamento, elevando o número de vagas no pré-escolar e fundamental de 115,9 mil para 167,5 mil e o número de escolas de 125 para 167, com 2.577 novos professores contratados por concurso. Promoveu a primeira eleição direta para diretores de escolas em Belo Horizonte e criou o colegiado escolar.

A municipalização da saúde, por meio do SUS, também se iniciava. O número de policlínicas subiu de duas para seis e de postos de saúde de 55 para 116, com alguns novos e outros repassados do Estado para a Prefeitura. O Hospital Odilon Berens foi reorganizado, com a implantação do Pronto Socorro Municipal, do primeiro Pronto Socorro Odontológico e da CTI Infantil com oito leitos. No transporte, a Câmara Municipal aprovou a criação da BHTrans, conforme previa a Lei Orgânica. Azeredo conseguiu, também, recursos federais para retomar obras do metrô da capital.

O Plano Real e o apoio de Hélio Gracia foram fundamentais para a vitória de Eduardo, em 1994
Gustavo Lacerda / Acervo Hoje em Dia

Inovação de Pimenta da Veiga, o Programa Participativo de Obras Comunitárias, o Propar, resultou na canalização de 22,6 mil metros de córregos e 19 novas avenidas sanitárias até o final do governo, entre outras obras. Eduardo implantou, ainda, as administrações regionais da capital, que Hélio Garcia havia introduzido em lei e apenas duas - Barreiro e Venda Nova - estavam implantadas, descentralizando a cidade que, na esteira desse movimento, ganhou quatro shoppings.

São marcas na memória da administração Azeredo, sobretudo, o tombamento da Serra do Curral; a criação da Fundação Zoobotânica; a transferência da Feira de Artesanato da Praça da Liberdade para a avenida Afonso Pena, embora sob fortes protestos dos feirantes; a recuperação do Parque Municipal e da própria Praça da Liberdade, com a parceria de grandes empresas da iniciativa privada; a restauração da Igrejinha da Pampulha e de seus jardins, com o paisagista Roberto Burle Max; e a implantação do Parque JK.

Embora tenha saído com alto índice de aprovação, Eduardo Azeredo não teve o gosto de fazer seu sucessor e pouco influiu nos resultados. Nas eleições municipais, o PSDB apresentou o candidato Aécio Neves, que acabou ficando em terceiro lugar, com 15,4% dos votos. O segundo turno foi disputado por Maurício Campos, do Partido Liberal - PL, que tivera 20,9%, e o petista Patrus Ananias, primeiro colocado, com 36,9%. Belo Horizonte elegeu então seu primeiro prefeito do PT. Azeredo voltou à informática, convidado pelo então ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, para presidir o Serpro.

Na era do Real

Nas eleições estaduais de 1994, o fraco desempenho de Aécio Neves na disputa para a Prefeitura não o faziam candidato predileto do PSDB, que tendia para o então ministro Paulino Cícero, e Azeredo se apresentou. Arlindo Porto, vice de Hélio Garcia, do PTB, também pleiteava indicação. No cenário incerto, o governador Hélio Garcia, no poderoso Palácio da Liberdade, repetia o comportamento que já lhe era característico. Deixava o tempo correr, entre silêncios e sondagens em sua base de apoio, mantendo-se misterioso. O então presidente da República, Itamar Franco chegou a lhe sugerir o nome do ex-governador Aureliano Chaves, sem êxito, enquanto Hélio Costa crescia e, no plano nacional, Fernando Henrique Cardoso era o candidato do Plano Real contra Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Na última hora, em maio de 1994, o governador decidiu anunciar Eduardo Azeredo. Para acalmar os ânimos, indicou Walfrido dos Mares Guia para vice e, mais à frente, o preterido Arlindo Porto para o Senado. A chapa estava então completa.

Com o presidente, Itamar Franco, que o sucedeu em 1999
Ivando Cavalcante / Acervo Hoje em Dia

Eleito, Eduardo Azeredo esperava contar com o presidente da República vitorioso, Fernando Henrique Cardoso, embora ele lhe tivesse faltado na campanha. Afinal, a onda era tucana, símbolo do PSDB, e compunham o chamado “Triângulo das Bermudas” os eleitos Mário Covas, em São Paulo, Eduardo Azeredo, em Minas, e Marcelo Alencar, no Rio de Janeiro. De fato, Eduardo obteve uma renegociação positiva da dívida do Estado, que era de monta, com credores diversos, prazos variados e juros de mercado. O Governo Federal a assumiu, contra um financiamento a juros fixos e prazo máximo de 30 anos para quitação, resultando em 25 bilhões de reais de economia para o Estado, assegura o ex-governador. Ele afirma que a partir daí tornou-se possível reestruturar Minas financeiramente, para enfrentar “a ressaca do Real”, já que a estabilização da moeda impunha ajustes públicos relevantes.

Suplantando as dificuldades financeiras, Eduardo Azeredo garantiu a conclusão das obras de duplicação da BR 381 - a Fernão Dias, iniciada no Governo Hélio Garcia -, e conseguiu do Governo Federal a duplicação da BR 050, no Triângulo, e da BR 040, no trecho Belo Horizonte/Sete Lagoas. Para o metrô de Belo Horizonte, também obteve recursos federais para a sua ampliação até Venda Nova.

Lei Robin Hood

Mas a grande marca de Azeredo foi, certamente, a chamada Lei Robin Hood, de redistribuição dos recursos do ICMS dos municípios mais ricos para municípios mais pobres, do Vale do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas. A legislação reúne também o ICMS Ecológico e o ICMS Cultural, incentivando com maior repasse do tributo cidades que investem em preservação ambiental e protegem bens culturais. Considerada socialmente avançada, a Lei Robin Hood rendeu ao governador um prêmio da Unicef. i

Também de repercussão social, duas Secretarias de Estado nasceram em sua gestão: a extraordinária da Criança e do Adolescente e a de Meio Ambiente. Foram ainda criados os primeiros Consórcios Intermunicipais de Saúde, modelo que se tornou Lei Federal, e ampliados os investimentos orçamentários na educação, que atingiram 45% da receita mensal, além da obtenção de recursos do Banco Mundial para a qualidade da educação. Foi também Azeredo quem sancionou a Lei Estadual de Incentivo à Cultura e restaurou a Serraria Souza Pinto, na capital.

Outros destaques foram o início da construção do Expominas, em Belo Horizonte, e a política de atração de empresas que contribuiu para a instalação, em Minas, das montadoras Mercedes Benz, em Juiz de Fora, e a Iveco, em Sete Lagoas. Antes disso, porém, em 1995, Eduardo Azeredo amargou a vitória do Rio de Janeiro sobre Minas, inclusive com velado apoio do presidente Fernando Henrique, na disputa pela fábrica de caminhões Volkswagen, que foi para Resende (RJ), com investimentos de 250 milhões de dólares, e instalação em tempo recorde, já em 1996. Consolou-se com o anúncio subseqüente da ampliação dos investimentos da Fiat em Minas, para a fabricação do “Tipo”.

Mas a “ressaca do Real” implicaria também em problemas salariais. O maior drama enfrentado pelo governador foi a greve da Polícia Militar - PM, em junho de 1997, de repercussão nacional, que ele lembra como “seu período mais difícil”. A inédita paralisação na história da corporação mineira durou mais de duas semanas, exigiu a intervenção do Exército - com tanques nas ruas da capital - e a exoneração de comandantes, e se alastrou pelo Estado. A avaliação era de que o governador não dimensionara o “barril de pólvora” de descontentamento em que vinha se transformando a PM e conduziu mal as negociações. Mas ao final, Azeredo cedeu às pressões e acabou por negociar um reajuste diferenciado maior do que exigido no início do movimento: de 11% para os oficiais até 48% para os cabos. Na greve, despontou a liderança do cabo Júlio, que seria eleito deputado federal.

Privatizações

Defensor da privatização, Azeredo viveu o processo da Companhia Vale do Rio Doce, conduzido pelo Governo Federal, sob protestos de movimentos sindicais e sociais. “Acho que o governo tem de estar ligado nas questões fundamentais. São exatamente a saúde e a educação. Eu costumo dizer que essas necessidades básicas são irmãs gêmeas, não há prioridade entre elas.(...) Com essa visão de que o governo tem de se ater a essas coisas clássicas, deve-se começar por dizer que a atividade da Vale é uma atividade operacional, não é uma atividade de governo. O retorno do capital investido é ridículo i”.

Assim, Eduardo apoiou a iniciativa e reivindicou a parte que caberia ao Estado dos recursos apurados. “Consegui que 200 milhões de dólares viessem para Minas”, afirma, observando que a intenção era que fossem aplicados nos municípios da área de atuação da empresa. Entretanto, chegaram pulverizados.

Marcelo Sant’Anna / Acervo Hoje em Dia

Em Minas, ele seguiu também o receituário dos governos do PSDB e privatizou dois bancos que o Estado possuía e que se encontravam em delicada situação financeira, agravada com a estabilidade da moeda: os tradicionais Banco do Estado de Minas Gerais - Bemge e o Banco de Crédito Real - Credireal. O Bemge foi vendido em agosto de 1997 ao BCN, que acabou sendo comprado pelo Bradesco ainda naquele ano. Em 1998, foi a vez do Bemge, arrematado pelo Banco Itaú por 538 milhões de reais. Minas ficaria somente com o BDMG, instituição exclusivamente dedicada ao fomento, já que a Minascaixa havia sofrido intervenção no início do segundo Governo Hélio Garcia e foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.

Rumo ao Senado

Concluído o governo, em 1º de janeiro de 1999, Eduardo Azeredo passou o cargo ao ex-presidente da República, Itamar Franco. Apesar de empreender uma das mais caras campanhas eleitorais, tendo como vice na chapa o empresário Clésio de Andrade, não conseguiu se reeleger. Retornou à informática, na iniciativa privada, como presidente da Belgo Mineira Sistemas - BMS, onde permaneceu por três anos. Em 2002, quando Aécio Neves se candidatou ao Governo de Minas, Eduardo disputou e venceu as eleições para o Senado i, onde é hoje presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática e deverá tentar a reeleição.

Na avaliação de seu governo, Eduardo o classifica como um período de reconstrução do País com a estabilidade econômica, que, entretanto, exigiu grandes esforços. “Orgulho-me de ter realizado muito, com dificuldades”, afirma. Define-se como um técnico que se preparou profissionalmente para ser um administrador público moderno, representante de uma nova geração na política, mais voltada para realizações do que para os conchavos e as artimanhas do poder. “A coincidência de ser o primeiro governador pós-Real, com formação técnica e tradição política, deu-me grande responsabilidade”, avalia, lembrando que era o mais jovem dos três tucanos do “Triângulo das Bermudas”.

Sua inspiração política sempre foi o próprio pai e Juscelino Kubitschek, reconhecendo em Tancredo Neves, Pimenta da Veiga e Hélio Garcia as personalidades políticas que lhe deram o grande apoio para construir a carreira.

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