
Em mais de meio século de vida empresarial e política, Newton Cardoso consolidou a imagem pública como alguém determinado e capaz de aplainar - a exemplo de um bom trator - qualquer terreno inóspito pela frente. Durante o seu governo em Minas, enxugou a máquina administrativa, realizou um amplo programa de obras, se desfez de empresas estatais e agitou o mercado de comunicação. Tudo isto quebrou paradigmas e arrebanhou contra ele uma forte oposição. Mas, coerente com o estilo arrojado, contrabalançou a tudo com provas de força e capacidade de amealhar aliados. Líder no PMDB, oferecia em suas fazendas churrasco no rolete para uma legião de correligionários. Nestas ocasiões, bois quase inteiros iam para o fogo. Acusações de toda ordem foram levantadas contra ele, mas nada foi, até o momento, judicialmente comprovado. Até tentativas de impeachment, na Assembléia Legislativa, ocorreram quando ele era governador, sem sucesso.
A história política dele começou e sempre foi pontuada por Contagem, a segunda maior cidade do Estado, com mais de meio milhão de habitantes, e um dos principais pólos industriais mineiros. Vizinha à capital, a cidade recebeu o seu nome em homenagem a um antigo posto de contagem de gado, criado no início do século XVIII. O gado, vindo das bandas do rio São Francisco, passava por ali antes de abastecer a região de mineração, responsável pelo povoamento de Minas. Somente em 1948 o lugar se consolidou como município. Já o seu distrito industrial foi criado em 1953. Newton Cardoso foi prefeito de Contagem em três oportunidades. A primeira administração ocorreu entre 1973 e 1977. Após esta experiência, quando liderou uma ruidosa campanha contra a poluição causada por uma produtora de cimento, foi eleito deputado federal, cargo exercido entre 1979 e 1983. Voltou à Prefeitura para o mandato entre 1983 e 1986. Em seguida, foi governador e ainda deputado federal, entre 1995 e 1996. Retornou como prefeito em 1997. E se desincompatibilizaria do cargo para tornar-se vice-governador na gestão de Itamar Franco, entre 1999 e 2003.
Candidatou-se ao governo novamente em 2002, tendo na chapa a vice Maria Elvira, mas perdeu para a dupla Aécio Neves e Clésio Andrade. A sua última participação em eleições foi como candidato a senador, em 2006, quando ficou em segundo lugar. Ao lado da política, Newton construiu um musculoso grupo empresarial que leva o seu nome i, com atuação em indústria, construção civil, siderurgia, agropecuária e segmento florestal.

Newton nasceu em Brumado, uma próspera cidade do Sudoeste da Bahia, conhecida como a “capital do minério”, no dia 22 de maio de 1938. Foi o oitavo dos 15 filhos do casal formado pelo alfaiate Ápio Cardoso da Paixão e pela tabelioa Adélia da Silva Cardoso. Ela, “uma mulher formidável, empresária”, e ele um “homem santo, que não conseguiu fazer um inimigo na vida”, define o filho que chegou a governador.
Newton foi morar em Belo Horizonte aos 16 anos, após cursar o ginasial em Caetité (BA). Uma empresa mineira, a Magnesita, descobriu depósitos de magnesita justamente em Brumado. E as atividades industriais dela se iniciaram na primeira metade dos anos 1940, em Contagem. O País era então basicamente rural e uma nova guerra mundial se avizinhava, a demandar refratários e aço. A mãe de Newton, segundo ele, com um viés nacionalista, muitas vezes comprava terras para a Magnesita e as regularizava, sendo ressarcida depois. Também costumava financiar a própria folha de pagamento de funcionários da empresa em Brumado.
Em agradecimento, o então presidente da Magnesita, Hélio Pentagna Guimarães, arrumou um emprego para o jovem filho na metalúrgica, em Contagem. Bem apadrinhado, Newton revelava adolescente a vocação para o comércio, já despontada ainda na Bahia. Nas gavetas de sua mesa de trabalho mantinha estoque de objetos, como relógios e jóias, a serem vendidos aos companheiros. E assim foi ganhando freguesia até montar, na informalidade, a sua primeira loja, de nome “Mocó i”, na avenida Amazonas, que servia de vitrine para a venda de relógios, rádios, jóias, bicicletas, geladeiras e televisores. Aos 18 anos instalou a sua primeira filial em frente à primeira loja, indo a São Paulo fazer compras nos finais de semana. Adquiriu um sedã Ford azul, modelo 1949 e, aos 20 anos, um Ford Fairlane 500; um luxo para a época. A inadimplência dos clientes praticamente não existia porque na Magnesita as compras eram descontadas na folha de salários.
Mas, além de trabalhar, Newton também estudava o Científico no Colégio Anchieta, em Belo Horizonte. Morava em uma república, onde foi colega do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso. Na época, os estudantes faziam somente uma grande refeição ao dia, conhecida por “jantarada”. E quando a fome apertava, ele ia, o mais tarde possível, à casa da mãe de Juscelino Kubitschek, Dona Júlia, sua vizinha na avenida Getúlio Vargas. Ela lhe oferecia refeições e contava histórias sobre o filho. Assim, JK se tornou a sua referência política.
No movimento estudantil
Em 1958, Newton presidiu a União Colegial de Minas - UCMG. No ano seguinte, adquiriu, com recursos em boa parte próprios, um lote da universidade e construiu, na rua Ouro Preto, um prédio de quatro andares, para abrigar a Casa do Estudante, conhecida por Mofuce i. Nos finais de semana, Newton freqüentava o Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva - CPOR, onde presidiu o grêmio e ajudou a fundar a revista da corporação.
Depois, iniciou o curso de Sociologia, Política e Administração Pública na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Embora não tenha concluído o curso, a passagem pela UFMG trouxe experiências políticas importantes. Ele foi diretor do DCE, onde dirigiu a revista “Mosaico”. E ingressou no Partido Republicano e, assim, conviveu com figuras proeminentes, como Arthur Bernardes Filho e Clóvis Salgado. Mas uma decepção o fez se desligar do PR: em uma convenção no Rio, o partido decidiu apoiar, contra as suas expectativas, a candidatura de Jânio Quadros à Presidência da República. JK, a quem admirava, apoiava o marechal Lott, seu ministro da Guerra, à sua sucessão.
Em 1959, Newton, após ter presidido a UCMG e ter integrado o DCE, já demonstrava a sua influência política como fonte para a opinião pública, ao defender na “Folha de Minas” a candidatura de Lott e a de Tancredo Neves ao Governo do Estado. Eram “candidaturas nacionalistas”, afirmava. Além de sair do PR, Newton decidiu abandonar o curso em andamento e ingressar na Faculdade de Direito da antiga Universidade Católica de Minas, hoje PUC-MG. Ainda estudante, foi, em 1962, oficial de gabinete do prefeito de Belo Horizonte, Jorge Carone. Formou-se em 1966 e passou a trabalhar na área jurídica da Magnesita.
Vocação empresarial
Mesmo revelando aptidões para a política, Newton acabou se destacando mesmo como empresário. “A década de 1960 foi aquela em que, realmente, meus negócios deslancharam. Fundei uma porção de lojas e comprei outras tantas”, revela em seu livro “Trajetória de um Empreendedor i”. Atuou em negócios comerciais e industriais, nos ramos de alimentação, vendas de eletrodomésticos, mercado mobiliário e imobiliário. A primeira de suas fazendas, em Pitangui, recebeu o nome de Rio Rancho, porque sempre ia a trabalho ao Rio de Janeiro e retornava depois para o “rancho”.
Quando foi eleito prefeito de Contagem em 1972, Newton possuía, segundo afirma, uma fortuna avaliada em cinco milhões de reais: “Em 1970, encontrei com o José Alencar, atual vice-presidente da República, que era um dos maiores empresários do Brasil e ele me disse assim: Newton, se você vender todo o seu gado e aplicar a 1% ao mês, você será mais rico que eu”. Alencar se referia, entre outras coisas, às mil cabeças de gado que ele havia declarado, naquele ano, à Receita Federal. De acordo com Newton, tudo isto contribuiu para que estabelecesse as bases econômicas e financeiras para a sustentação de seu projeto político.
Com a implantação do bipartidarismo em 1965, Newton filiou-se ao MDB, de oposição. Em 1966, foi candidato a deputado estadual, mas ficou na segunda suplência. Empenhou-se, a partir daí, em se afirmar politicamente em Contagem. Em 1970, ele disputou as eleições, de mandato “tampão i”, para a Prefeitura, procurando quebrar a hegemonia política de famílias tradicionais, como a Camargos e a Matos. Obteve o maior número de votos, mas, pela legislação da época, que valorizava a legenda, não foi eleito. Em 1972 disputou novamente as eleições, com uma plataforma política que preconizava o desenvolvimento, com a implantação do Centro Industrial de Contagem - Cinco i, e a proposta de transformar a represa Várzea das Flores em pólo turístico. O êxito de sua campanha foi retumbante. Obteve 12,8 mil votos, então 70% do eleitorado. E iniciou a gestão quando o Brasil vivia o “milagre econômico”.
Em seu quadriênio na Prefeitura, entre 1973 e 1977, Newton inaugurou uma gestão descentralizada. Criou a Companhia Urbanizadora de Contagem - Cuco, empresa de economia mista encarregada de promover as obras públicas; e a Fundação de Assistência Médica de Contagem - Famuc. Promoveu, ainda, uma reforma tributária e deu prosseguimento às obras do Cinco, logo ocupado em curto espaço de tempo, permitindo que Contagem se tornasse rapidamente o segundo município mineiro em arrecadação e o primeiro em produção industrial.
Mas os médicos advertiam então que a cidade era também a primeira em poluição. Diante disso, Newton tornou-se um dos precursores da questão ambiental no País, ao abrir campanha contra a poluição e exigir que as empresas cumprissem a determinacão de instalar filtros antipoluentes. Um dos maiores alvos foi a cimenteira Itaú Portland, que despejava 108 toneladas diárias de pó de cimento no ar. A empresa recorreu e o governador Aureliano Chaves agiu, em agosto de 1975, determinando o envio de um destacamento policial para fazer valer a exigência da Prefeitura.
O fechamento da fábrica ganhou a capa dos principais jornais, mas durou pouco: o então presidente Geisel baixou o Decreto Lei nº 1.413, com normas para o controle da poluição que asseguravam ao Govermo Federal a competência para julgar as questões ambientais. Assim, a fábrica retomou as atividades, mas a imprensa e a opinião pública se posicionaram a favor da Prefeitura e até o escritor Carlos Drumond de Andrade escreveu uma crônica, “A festa”, ironizando a intervenção federal i. Terminado o primeiro mandato, passou a integrar a equipe de seu sucessor, José Luiz de Souza, exercendo o cargo de Diretor Presidente da CUCO.
Vôo político

A imprensa já alardeava que ele teria uma expressiva votação nas eleições de 1978, quando disputou para deputado federal, pelo MDB. E foi o que de fato aconteceu. Com 135.900 votos, Newton tornou-se o mais votado do partido no Brasil e o segundo em Minas. O seu mandato se iniciou no ano seguinte e prosseguiu até 1983. No final de 1979, com o fim do bipartidarismo, se filiou ao PMDB. Engrossando as fileiras da oposição, com tiradas ácidas e espirituosas, criticava políticos e órgãos governamentais. Apresentou projetos visando à proteção ao meio ambiente e ao salário-desemprego; entre outros. Foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI dos Alimentos.
Em 1982, Newton foi novamente prefeito de Contagem e exerceu o mandato entre 1983 e 1986. Hélio Garcia, então eleito vice de Tancredo Neves, foi nomeado prefeito de Belo Horizonte pelo governador. Mas, segundo Newton Cardoso, inicialmente ele que seria indicado:
“...fui para Contagem, na realidade, para ser prefeito de Belo Horizonte. Fui para Contagem não para ser eleito lá, mas para ajudar o Tancredo a ser eleito e vinha para Belo Horizonte como prefeito... i”
O acordo não deu certo por um motivo simples. Newton fora eleito com ampla vantagem, conquistando 92% dos votos válidos, e com uma votação tão expressiva, era difícil não corresponder às expectativas do eleitorado i.
Em seu segundo mandato, Newton, que encontrara a situação “caótica”, reorganizou a administração em pouco mais de 15 meses e inovou, promovendo audiências públicas em praças de Contagem. Deu especial atenção à implantação de novas unidades industriais, consolidando, assim, o parque industrial; ao programa habitacional Nova Contagem e aos programas das frentes de trabalho e dos “sopões”.
Entretanto, ele não terminaria o segundo mandato, desincompatibilizando-se em 1986 para concorrer ao Governo de Minas. Mas a sua indicação pelo PMDB não foi tranqüila. À medida que se aproximava a convenção do partido, quatro candidatos se apresentaram. Às vésperas da convenção, no entanto, o então governador Hélio Garcia apresentou o nome do presidente regional do PMDB, deputado Joaquim de Melo Freire, que em seguida declinou da indicação. E isto porque, de acordo com Newton, “o Helio não tinha controle dos diretórios do PMDB. Eu tinha”. E, de fato, ele venceria a convenção, recebendo, depois, o apoio do próprio governador.
Na campanha, Newton percorreu todo o Estado e, ao seu lado, pontificava a candidata a vice, Júnia Marise i. Vitorioso, ele assumiu o governo com um “programa de metas”, inspirado no “cinco anos em cinco” de JK. O programa era ambicioso e “modificaria substancialmente a face de Minas”, diz. Pelo programa, dois terços dos investimentos seriam aplicados em educação, saúde, saneamento, alimentação e desenvolvimento urbano. O apelido de “trator” - uma referência à execução de estradas e ao estilo “duro” - remonta a essa época. No entanto, a base econômica para executar tal programa estava comprometida. Afinal, o ambiente do País era desfavovável, considerando o risco de hiperinflação, após o êxito e o abandono do Plano Cruzado i. Nada que lembrasse, portanto, a era de crescimento dos anos JK.
Cortes e enxugamento
Em sua última mensagem à Assembléia Legislativa, no início de 1991, Newton lembrou que àquela altura a economia brasileira e mineira estava marcada por sinais sistemáticos de desaquecimento em seus ritmos de produção i. Em duas décadas, a carga tributária líquida declinara 18,7% e a relação receita tributária/PIB mineiro havia caído 3,6%. Desta forma, a capacidade de investimento era menor. A mensagem assinalava também que, já no final do exercício de 1986, pouco antes de assumir o governo, “as finanças estaduais apresentavam níveis absolutamente críticos de manutenção”. Diante disso, Newton destacava na mensagem:
“Era urgente e necessário estancar o processo, até porque a própria sobrevivência do Governo do Estado, referenciada à situação geral do País, mostrava sinais de já estar sendo ameaçada. Assim, consciente desta situação, procedi ampla reforma administrativa orientada para adequar a máquina pública à sua nova realidade e garantir ao Estado o exercício de suas funções básicas”.
De fato, quando assumiu o governo em 1987, Newton recorda que o pagamento do funcionalismo comprometia 113% do orçamento. A arrecadação estadual, portanto, estava deficitária e inteiramente comprometida; o que inviabilizava a realização de investimentos. Além disso, Newton lembra que empresas estatais operavam nas mais diversas áreas da economia, de destilaria de álcool, a hotéis e frigoríficos i, em grande parte deficitárias. Na mesma situação, segundo ele, encontravam-se os cinco bancos estaduais: a Agrimisa - encampado em 1985 pelo então governador Hélio Garcia -, o Bemge, o BDMG, o Credireal e a Minascaixa, estando esses dois últimos, a essa época, sob a intervenção do Governo Federal.

Para enxugar a folha de pagamento, o governo demitiu cerca de 130 mil funcionários, dos quais 30 mil funcionários “fantasmas”, exonerados logo no inicio do mandato. Mas Newton adotou também o regime jurídico único, que possibilitou aos celetistas terem os mesmos direitos que os estatutários, e beneficiou cerca de 40 mil aposentados do quadro do Magistério, com o Plano de Revisão de Proventos dos Serviços Públicos. Por outro lado, vendeu empresas e bancos estatais que, de acordo com ele, “sangravam” o Estado. Resultado disso, a formação de um superávit permitiu que o governo realizasse um conjunto de obras e serviços públicos, além de amortizar a dívida estadual.
Transportes e energia
Na área de transportes, Newton contabiliza que em seu governo foram construídos e recuperados 6,6 mil quilômetros de estradas, cinco mil metros de pontes e viadutos, 267 terminais rodoviários e 14 aeroportos. A pavimentação de rodovias atingiu a marca de 4.176 quilômetros, dos quais 705 realizados somente em 1990. No cômputo final, ele alega hoje que chegou a construir nada menos do que 28 mil quilômetros de estradas e “sempre com o menor custo possível por quilômetro”.
A ampliação da disponibilidade de energia também foi prioridade, com a construção de 14 barragens no Jequitinhonha, para a perenização dos rios. Também é desta época a construção da Hidrelétrica de Nova Ponte, uma das mais importantes da região Sudeste. Já o Minas Luz, concluído em 1989, beneficiou 178 mil habitantes de 90 localidades mineiras, enquanto o Iluminas, o maior programa de eletrificação de todos, beneficiou 158 mil consumidores i.
O saneamento e o abastecimento de água também receberam atenção do governo, que implantou, através da Copasa, o sistema de captação de água do rio Manso, parte integrante do sistema Serra Azul, com capacidade de vazão de oito mil litros por segundo, de forma a garantir o abastecimento de Belo Horizonte até 2010. Em outra frente, o Governo Newton realizou entendimentos com o Governo Federal e com o Banco Mundial para a implantação do Plano Piloto Nacional de Saneamento Rural, a partir de 1988. Foram beneficiados cerca de 180 mil habitantes rurais. Já na habitação, seriam construídas cem mil casas, por meio do Programa Comunitário de Habitação Popular – Pró-habitação.
No setor educacional, o governo vinculou os vencimentos do quadro de professores à variação do Bônus do Tesouro Nacional. E, para atender a um dispositivo da nova Constituição do Estado, promulgada em 1989, instituiu a Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. Outra iniciativa foi a implantação do Centro de Pesquisa e Ensino e o Instituto Técnico de Agropecuária e Cooperativismo, na Fazenda Experimental de Pitangui, voltado para a formação de técnicos de Agropecuária. Além disso, foi construído o prédio da Escola de Belas Artes Guignard.
Já na área da saúde, o Governo Newton transcorreu durante a implantação do Sistema Único de Saúde, o SUS, que mudou estruturalmente a saúde pública brasileira. Mas o Governo Federal, que repassou então a responsabilidade pelo atendimento aos Estados e Municipios, não transferia os recursos a contendo. Assim, em sua última mensagem à Assembléia, Newton Cardoso afirmava que “meu governo tem enfrentado as piores crises dos últimos tempos desse setor”.
Na política nacional, Newton teria um papel ativo nas articulações do PMDB, então o maior partido do País, beneficado, em 1986, pelo sucesso do Plano Cruzado. Para a polêmica extensão do mandato do presidente Sarney, de quatro para cinco anos, ele conta que, em novembro de 1988, quando viajava pelo Triângulo Mineiro, recebeu um recado para ir a Brasília e, na capital, conversou com o general Rubens Bayma Denis, então chefe da Casa Militar, que lhe pediu apoio à proposta, em nome de uma transição “mais suave da abertura democrática”. Convencido pelo general, Newton articulou os governadores Orestes Quércia, de São Paulo, e Moreira Franco, do Rio, que aderiram à proposta de mudança, enfim aprovada.
Hoje, no entanto, ele considera que este foi o seu mais grave erro, porque o ano excedente foi “um desastre”. A crise econômica e a inflação explodiram; o que comprometeu a candidatura de Ulisses Guimarães à Presidência da República pelo PMDB. “Se o Sarney tivesse ficado apenas quatro anos no poder, o Ulisses teria sido o presidente da República”, garante Newton.
Após deixar o governo, Newton voltou à Câmara em 1995, eleito com 180 mil votos - o deputado mais votado em Minas e o mais votado do PMDB no Brasil. Entretanto, ele não chegou a completar o segundo mandato, pois se candidatou a prefeito de Contagem em 1996 e venceu a disputa já no 1º turno i. Mas em abril de 1998 Newton desencomatibilizou-se do seu terceiro mandato como prefeito para disputar as eleições como candidato a vice na chapa de Itamar Franco, vitoriosa em outubro daquele ano. Logo, porém, o vice se desentenderia com o governador, segundo ele em razão dos enfrentamentos que Itamar fazia com o Governo Federal e o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Apesar disso, durante todo o mandato, Newton teria forte influência no governo i. Mas o seu projeto político sofreu um revés quando disputou e perdeu o novo pleito para o Governo de Minas, em 2002, vencido por Aécio Neves i em 1º turno, com 57,68% dos votos. Quatro anos depois, em 2006, ele concorreu pelo PMDB para o Senado. Na convenção partidária, derrotou Itamar Franco, que pleiteava a vaga, com o apoio do governador Aécio Neves, candidato à reeleição. Newton obteve 70% dos votos dos delegados, mas perdeu as eleições para o candidato do PFL, Eliseu Resende i.
Newton tem quatro filhos de seu casamento com a então deputada federal Maria Lúcia Cardoso.