
Francelino Pereira dos Santos tornou-se testemunha e protagonista de alguns dos episódios mais importantes da História do Brasil na segunda metade do século XX. Ele nasceu em dois de julho de 1921, em Marimbondo, distrito de Angical do Piauí. O seu primeiro nome é uma homenagem a uma avó materna, Francelina de Sousa Soares, e ao padrinho de batismo, um amigo da família, Francelino Soares de Sousa. Os pais eram os piauienses Venâncio Pereira dos Santos e Maria Ana de Sousa. Tornou-se o oitavo e último filho.
O casal morava com a prole - quatro mulheres e quatro homens - em uma casa de fachada ampla, coberta com palha de babaçu e com paredes de taipa, em área de cerca de 46 hectares. Venâncio trabalhava como lavrador e vaqueiro de reses “comuns i”. Os terrenos melhores eram cobertos de angico, a árvore que, por sua vez, inspirou o nome da cidade. Trabalhando duro, em uma região ensolarada e seca, a família conseguiu adquirir cerca de duzentas cabeças de gado. De toda a família, apenas Francelino e seu irmão mais próximo em idade, Joaquim Venâncio, estudaram. Joaquim, apenas seis ou sete meses, com professores leigos - ele trabalhava em uma farmácia, ainda hoje aberta na cidade.
Por tudo isso, nada ali indicava, no interior do Piauí, que o lugar ofereceria ao País um de seus mais importantes políticos; especialmente a partir de Minas, Estado cuja capital se situa a cerca de dois mil quilômetros de distância. Francelino chegou em Belo Horizonte aos 22 anos, poucos meses após a divulgação do Manifesto aos Mineiros, em outubro de 1943. Assim, movido pelos mesmos ideais, participou do movimento estudantil da Faculdade de Direito da hoje UFMG e da fundação da própria UDN, quando o Estado Novo já agonizava. Também atuou como secretário do Diretório da UDN. Lá, passou a conviver com alguns mestres da política mineira, de projeção nacional, e que haviam assinado o manifesto, como Milton Campos, Pedro Aleixo, Virgílio de Melo Franco, João Frazen de Lima, Jonas Barcelos Correa e Alberto Deodato. A convivência com eles, bem como a redação de textos e a recepção a correligionários, seria essencial para a sua formação e carreira política.

Em 1949, Francelino se bacharelou, integrando a turma Rui Barbosa. Em seguida, foi eleito vereador da capital, pela UDN, para o mandato entre 1951 e 1955, quando o prefeito era o udenista Américo Renê Giannetti. Na Câmara, ele apresentou projeto de criação da Escola Técnica de Comércio e Administração, no Parque Municipal. Mais tarde, a escola se tornou o Instituto Municipal de Administração e Ciências - IMACO. Em seguida, passou no concurso para professor de Administração e Direito Usual e foi diretor do IMACO, a convite de Celso Mello Azevedo, o novo prefeito.
Nos primeiros anos da década de 1960, participou do Governo Magalhães Pinto. Foi chefe de gabinete do secretário de Interior e Justiça, Oswaldo Pieruccetti. Depois, foi diretor do Departamento de Administração Geral do Estado, que cuidava dos assuntos do funcionalismo. Entretanto, exerceu por mais tempo a função de assessor político para assuntos municipais, no Palácio da Liberdade. Nesta posição, recebendo dia e noite lideranças do interior, Francelino diz que jamais foi informado “de ações relacionadas com a futura revolução i”.
A carreira de Francelino logo deu um salto. Tornou-se deputado federal por Minas por quatro mandatos consecutivos, entre 1963 e 1979. Em março de 1963, em Brasília, ajudou a redigir e subscreveu os documentos da UDN para o fortalecimento do bloco Bossa Nova, de orientação centro-esquerda i. O grupo apoiava Jânio Quadros. Depois, passou a manter contatos com San Tiago Dantas e outros líderes do presidente Goulart, já que se caracterizava como um movimento reformista, situado à esquerda do espectro ideológico.
Francelino, que revela não ter participado da “eclosão do regime de exceção de 1964”, era membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e se posicionou contra a perseguição ao deputado carioca Moreira Alves, após discurso considerado ofensivo às Forças Armadas i. A Câmara não deu licença para processar o deputado e o governo, em represália, editou o AI 5.
Com o Congresso fechado, Francelino foi rever a família no Piauí, especialmente o pai Venâncio, permanecendo lá por doze dias, mais do que o usual. O pai acompanhava os acontecimentos pelo rádio e, talvez se lembrando dos personagens da época do tenentismo, como Juarez Távora, que passaram pela região, pensou que o filho estivesse foragido. Começou a sentir frio e Francelino deu-lhe um agasalho. Quando retornava, ainda no aeroporto de Teresina, soube que o pai contraíra uma isquemia. Ele viveria mais dois anos.
Também no fatídico ano de 1968, Francelino e o amigo Aureliano Chaves já haviam condenado a invasão da Universidade de Brasília pela Polícia Militar, que resultara, inclusive, na prisão de um dos filhos de Francelino, Luiz Márcio.
Entretanto, posições firmes não impediram a sua aproximação com o general Geisel. O presidente defendia como alternativa para o impasse institucional, incluindo a falta de consenso na área militar, a abertura democrática “lenta, gradual e segura”, que foi costurada e concluída pelo general Figueiredo. “A nossa missão era acabar com a revolução”, conta Francelino. O projeto de Geisel envolvia estrategistas como Golbery do Couto e Silva. Francelino tornou-se peça indispensável no tabuleiro político. Foi presidente da ARENA, que pontificou entre 1965 e o final de 1979 i. Depois, foi instituído o pluripartidarismo, com a intenção de enfraquecer as oposições. No lugar da ARENA, surgiu o PDS, ao qual Francelino foi filiado até 1984.
Na ARENA, ele cuidava da sustentação partidária para a transição democrática, enquanto outro conterrâneo, Petrônio Portela, dialogava com a sociedade organizada, como a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, a Igreja e os trabalhadores i. O amigo Marco Maciel, também nordestino, presidente da Fundação Milton Campos, os auxiliava nesta engenharia política. Curiosamente, um dos maiores críticos do período militar, o jornalista Carlos Castelo Branco, do “Jornal do Brasil”, também piauiense, havia estudado e trabalhado em Belo Horizonte, durante todo o Estado Novo i. Os três conterrâneos haviam, assim, bebido água no chafariz barroco da política mineira.
Marcou o período a última sucessão estadual pela via indireta; passo decisivo para se chegar à democracia plena. Geisel se reuniu todas as noites, durante duas semanas, no Palácio da Alvorada, com o seu staff i. Eles analisavam exaustivamente os nomes dos possíveis candidatos do partido à sucessão nos estados. No dia seguinte a comissão se reunia com o governador e o presidente da ARENA de cada Estado para se chegar a um “consenso” em relação ao nome anteriormente apontado.
Minas foi um dos últimos estados a ser avaliado. E Francelino Pereira, que mereceu o apoio de Geisel, não participou desta decisão em particular, segundo atesta. Assim, assumiu o governo entre 1979 e 1983 como representante da última safra dos eleitos para o cargo pelo voto indireto. Entretanto, a indicação para Minas, assim como para São Paulo, diferentemente dos outros estados, foi contestada. Francelino disputou a convenção partidária, na Assembléia Legislativa, com o então deputado João Ferraz. Em São Paulo, o desafiante Paulo Maluf venceu Laudo Natel.
Outro episódio marcante para Francelino foi convidar Aureliano para ser vice de Figueiredo, em nome da ARENA e do próprio Geisel i. Ele também recebeu do presidente a missão de falar a Rondon Pacheco sobre a redução em um ano do seu mandato, para que a eleição estadual ocorresse simultaneamente em todo o País.

Após o Governo de Minas, Francelino recebeu telefonema do então ministro da Casa Civil, Leitão de Abreu, convidando-o para assumir, em nome do presidente Figueiredo, a Presidência da então estatal Acesita. Ele ficou na empresa menos de um ano, mas a tempo de negociar, entre outubro de 1983 e julho de 1984, um importante aumento de capital social. E se afastou da empresa para integrar a Aliança Democrática que lançou Tancredo Neves i para a Presidência contra o candidato do PDS, Paulo Maluf i.
Entre 1985 e 1990, Francelino foi vice-presidente de Administração do Banco do Brasil, recebendo, inclusive, a missão de implantar o Centro Cultural da instituição em um prédio histórico i no centro do Rio. O trabalho garante hoje a realização de exposições permanentes e manifestações culturais de destaque. Em 1994, elegeu-se para o Senado, obtendo em Minas mais de dois milhões de votos. Durante o mandato (1995/2003), foi relator e opinou favoravelmente à emenda da reeleição, que estabeleceu que o presidente da República, os governadores e os prefeitos podem reeleger-se para um único período subseqüente i.
Durante o centenário de Belo Horizonte, em 1997, sugeriu transformar os edifícios públicos da Praça da Liberdade em um grande espaço cultural. Esta idéia prosperou. O novo circuito cultural será possível ainda na gestão do governador Aécio Neves, com a transferência das secretarias e órgãos para o Centro Administrativo, projetado por Oscar Niemeyer.
Também foi de sua iniciativa a criação da Agência Nacional de Cinema - ANCINE, com o apoio do Senado e a aprovação do ex-presidente Fernando Henrique. E ainda o parecer favorável do substitutivo, de sua autoria, ao projeto de lei do senador Eduardo Suplicy, com o objetivo de instituir a renda básica de cidadania, a base institucional do programa Bolsa Família. No centenário de JK, foi relator da comissão organizadora e presidiu a solenidade comemorativa, no Senado, em 12 de setembro de 2002 i.
Em outra frente, Francelino tomou posse na Academia Mineira de Letras i em 28 de novembro de 2003. Os livros de sua lavra destacam pessoas de sua admiração ou projetos de interesse nacional, como “Castelinho - o reinventor do jornalismo político”; “Pedro Aleixo - visão de um estadista da República”; e “Milton Campos - o reformador social e político”.
A política no sangue
Alguns fatos significativos da vida de Francelino ocorreram ainda no Piauí. A sua família era simples e empreendedora, exercendo mesmo liderança no povoado de Angical, que se emanciparia em 1958 e prosperaria, com a ajuda deste tronco familiar. A sede municipal então passou a ser denominada Angical do Piauí, para se diferenciar de uma cidade homônima na Bahia. No final da vida, o pai dele, Venâncio, “vaqueiro de personalidade segura e respeitada”, já tinha melhorado a sua casa e adquirido, pelo respeito devido, a patente de “capitão”.
Francelino continuou os seus estudos em Amarante, então sede do município, a quatro léguas de distância. Seguiu no cavalo castanho do pai, o seu preferido. Na bela e bucólica Amarante, um fato, relacionado ao Estado Novo, o marcou profundamente. É ele quem relata o episódio que ativou o sangue em sua veia política:
“A escola era dirigida pelo professor Cunha e Silva. Determinado dia ele não está lá. Foi preso pela ditadura Vargas e encarcerado em Teresina. Foi ai que tive uma das primeiras visões do processo político, ou da política de uma forma geral. Visão que permanece até hoje. Tanto que combati a ditadura do Getúlio Vargas por toda a minha vida. Com a prisão dele, eu e um contemporâneo, Olemar de Sousa Castro, fomos para Teresina.”
Francelino e Olemar conversaram com o diretor do presídio para que ele permitisse a continuidade do aprendizado - iniciado no Atheneu Ruy Barbosa - ali mesmo no cárcere. Com o sinal verde do diretor, tiveram aulas durante quatro a cinco meses. Em seguida, fizeram exame para o ginasial no Liceu Piauiense, hoje Colégio Estadual, em Teresina; o que ocorreu entre 1938 a 1942. Na época, estudava à luz de lamparina, na residência da mãe de um amigo da família.
No colégio, um fato levou ao seu conhecimento a “primeira e mais duradoura visão de Minas”. Caiu em suas mãos um livro de Geografia que tinha na capa a imagem do palácio e da Praça da Liberdade, que lhe pareceu fascinante: “a alameda central, ladeada pelas imponentes palmeiras imperiais, ao fundo o palácio de linhas sinuosas, com sua leveza quase feminina”, escreveu.
Francelino fez o segundo ano em 1943, sendo o primeiro semestre no Colégio São João, em Fortaleza (CE), e o segundo no Liceu Piauiense, em Teresina. Ainda em Teresina, ele já havia adquirido gosto pelo jornalismo i, pela literatura e pela política. Também exerceu, nos limites do possível, a atividade política. “No silêncio imposto pela ditadura Vargas, até mesmo pela autocensura, a liberdade de expressão era quase nenhuma. A interlocução política não existia. O jornalismo tornara-se quase inseparável da literatura”, relembra.
Ele decidiu então continuar os seus estudos em Minas, onde a política fervia e influenciava os rumos nacionais. Assim, desistiu de ir para o Rio Grande do Sul, a sua idéia inicial. A trajetória, em 1944, realizada em 40 dias i, e os meios de transporte foram os seguintes, como recorda em seu livro “Mundo, Vasto Mundo”, de 1999: “De balsa de Amarante a Teresina pelo rio Parnaíba. De ônibus de Teresina a Fortaleza. De trem até Crato. De caminhão até Petrolina. De Petrolina a Pirapora, pelas águas revoltas do Rio São Francisco e, de Pirapora a Belo Horizonte, pelo trem de ferro da Central do Brasil. Levava, em todo esse longo percurso, o idealismo pelo Direito e pelas lutas demolidoras do Estado Novo”.
No Senado, Francelino defenderia a revitalização do São Francisco, escrevendo até um pequeno livro, em 2001, inspirado nos 500 anos da descoberta do rio por Américo Vespúcio. Em Belo Horizonte, em seu escritório na Rua São Paulo, ele possui uma maquete do vapor Benjamim Guimarães que o transportou pelo “Velho Chico”.

Francelino desembarcou na capital, na Praça da Estação, à noite, em um dia chuvoso de 1944. Morando em uma pensão na rua Carijós, matriculou-se no Colégio Afonso Arinos, onde conclui o terceiro ano. No ano seguinte, que marcaria o fim da guerra e do Estado Novo, frequentou a Faculdade de Direito, então “a mais bela escola política de Minas”. Tornou-se presidente do Diretório Acadêmico e do Centro Acadêmico Afonso Pena, sempre articulado e dinâmico i.
Esteve presente na Semana de Arte Moderna, a chamada “Semaninha Mineira”, de iniciativa do prefeito Juscelino Kubitschek. E convidou um dos próceres da UDN, Carlos Lacerda, para uma conferência sobre a política brasileira. Ele, “sempre afeito às rebeldias incandescentes”, tinha personalidade oposta a do sóbrio, culto e elegante Milton Campos, apesar dos dois conviverem bem dentro da UDN i. Fizeram juntos um passeio pelo centro da cidade.
A educação política continuava na casa de Pedro Aleixo, na rua Antônio de Albuquerque, na de Milton Campos, na rua Tomaz Gonzaga, e ainda na de Magalhães Pinto, na Santa Rita Durão. Participou da campanha de Milton Campos para o Governo de Minas, que tomou posse prometendo “um governo mais da lei que dos homens”, ao criticar a conduta dos adeptos da ditadura i. Em seguida, Francelino tornou-se secretário da UDN e de seus presidentes, que se tornaram os amigos Virgílio de Melo Franco, Alberto Deodato, Franzen de Lima e Pedro Aleixo.
Aos 29 anos, em 15 de abril 1950, casou-se na Igreja da Boa Viagem com Latife Haddad Pereira Santos, que se tornaria dirigente do Servas. Filha de um casal de imigrantes libaneses, que constituiu família em Oliveira, Francelino a conheceu em Belo Horizonte, após a mudança da família. Nasceram os filhos Luiz Márcio Haddad Pereira Santos (arquiteto), Maria Eugênia Haddad Pereira Santos (comunicadora social) e Paulo França Haddad Pereira Santos (comunicador social).
No Governo de Minas
O AI 5 caiu no apagar de 1978. E Francelino iniciou o seu governo pouco depois, administrando um Estado com aspirações civis recalcadas. Já a crise mundial de energia, iniciada em 1979, mudava negativamente as expectativas econômicas do País. Neste ambiente, as greves pululavam. Em 1979 os professores pararam 41 dias em 420 cidades. Já os trabalhadores da construção civil pararam o centro e a Zona Sul da capital, preocupando a população. Na Praça da Liberdade, professoras receberam jatos d’água e algumas se feriram i. O governo elevou os gastos com o funcionalismo, sobretudo na área do magistério. O salário aumentou e a situação funcional de quarenta mil professoras foi regularizada. Outro problema foi o das chuvas torrenciais. Em 1979, o dilúvio atingiu as regiões Norte e Nordeste do Estado; e em 1983, quando governou até março, a região metropolitana.

Apesar disso, Francelino sempre se manteve sereno e fiel ao “ideal democrático”. Em mensagem à Assembléia, em 1980, explicava que entre os objetivos sociais do governo se incluíam programas na área de transporte para a Grande Belo Horizonte e a construção de casas populares. Desta forma, construiu 116 mil casas, com o apoio do então ministro Mário Andreazza. Boa parte dos moradores recebeu as chaves das mãos do governador. A sua administração também priorizou a expansão da Fiat Automóveis - garantindo recursos de contrapartida estadual -, bem como a implantação da Siderúrgica Mendes Júnior.
Com o prefeito Maurício Campos, estabeleceu uma parceria que resultou na preservação de vários mananciais de água e na construção do Parque das Mangabeiras, um dos mais importantes da capital, junto à Serra do Curral i. Também ampliou e modernizou uma antiga edificação para abrigar o Minascentro - um dos maiores centros de convenções do Estado e que ocupa um quarteirão no centro da capital.
Francelino desenvolveu um programa para fortalecer 16 cidades de porte médio, as “cidades-dique”, para conter a explosão populacional de Belo Horizonte. E priorizou a eletrificação do Vale do Jequitinhonha. Outra obra fundamental foi o aeroporto internacional em Confins, todo construído durante a sua administração, embora inaugurado no Governo Tancredo Neves i. O acesso inicial a Confins também se deve ao seu governo. Francelino instituiu ainda o Dia de Minas, em 16 de julho.
Após consultar exclusivamente o seu partido em Minas, ele indicou Eliseu Resende à sua sucessão. E continuou prestando serviços ao País, como um político da “linha miltoniana”. Em sua biografia, por pouco não consta a de ministro do Interior do presidente José Sarney i. Isto ocorreria caso Aureliano deixasse o Ministério das Minas e Energia para se candidatar à Constituinte; o que não aconteceu. Restou a ele dizer ao presidente: “Vai para o meu currículo: fui ex-quase Ministro do Interior”.