capítulo vi
Regime Militar
Antônio Aureliano Chaves de Mendonça
Secretaria de Estado de Governo / www.mg.gov.br/portalmg
1975 • 1978
Aureliano Chaves
15 mar 1975 a 5 jul 1978
Partido: ARENA
Eleições: Indireta
Coragem e determinação

Na década de 1970, a economia brasileira crescia sob o signo do “milagre econômico” e nem a crise do petróleo, em fins de 1973, conseguira frear o ritmo. O fato é que as reservas cambiais e os empréstimos internacionais injetavam combustível no motor da economia. Só mais tarde, em 1979, uma nova crise do petróleo, ditada pela revolução islâmica no Irã, no Oriente Médio, imporia preços estratosféricos ao barril de petróleo importado e altos juros internacionais. A partir daí, o Brasil ficaria em “compasso de tartaruga” e com a inflação descontrolada por muitos anos.

Antônio Aureliano Chaves de Mendonça esteve à frente do governo mineiro no interregno dessas duas crises do petróleo, entre março de 1975 e julho de 1978. Adotou uma administração planejada, seguindo a cartilha do II Plano Mineiro de Desenvolvimento Econômico e Social - PMDES. Desejava tornar o Estado o principal pólo siderúrgico nacional. Quando renunciou ao governo para ser vice-presidente da República, ao lado do general João Baptista Figueiredo, Minas já se tornava o segundo maior pólo industrial do País.

A origem política de Aureliano era a UDN. No Governo de Minas, que alcançou pela via indireta, Aureliano tinha como vice Ozanan Coelho, um remanescente do antigo partido rival, o PSD i. A cooperação entre essas duas correntes da política mineira, que ainda fluíam subterraneamente, resultou em um governo dinâmico e propositivo que incorporava técnicos qualificados.

Em março de 1976, ele enviou à Assembléia Legislativa o seu primeiro balanço de governo. E explicava a filosofia que norteava o planejamento e a ação administrativa:

“...o meu governo trabalha para o homem, sob a inspiração humanística, naquela mesma linha de pensamento que Ordway Ted acentua em seu estudo “A Arte na Administração”. Com efeito, sempre entendi que, dentre as obras que a atividade humana procura aperfeiçoar, assume, por certo, a mais alta importância o próprio homem, que não é máquina construída segundo modelo montado para a execução exata de um trabalho, mas árvore que precisa crescer e desenvolver-se em todas as direções.”

Aureliano participou da campanha pelas eleições diretas para presidente
Alan Rodrigues / Acervo Hoje em Dia

O governo apoiava empreendimentos de grande envergadura, que se tornaram realidade, como a conclusão da fábrica da Fiat, em Betim. No setor siderúrgico, havia a expansão da planta da Usiminas e a implantação dos empreendimentos da Mendes Júnior, em Juiz de Fora, e da então estatal Açominas, em Ouro Branco. Outros projetos visavam reduzir a importação de fertilizantes: Valep, em Itabira; Valefertil, em Uberaba; e Fosfertil, em Patos de Minas.

A economia mineira crescia então em ritmo chinês. Em 1977, o Produto Interno Bruto - PIB do Estado alcançou 11,1% do nacional, contra 9,0% em 1976 i. O setor manufatureiro que, em 1970, contribuía com 21,5% na formação do produto, aumentara a sua participação para 34,8% sete anos depois, segundo mensagem do governo enviada em 1978 à Assembléia.

Outros dados impressionavam. O PIB do setor industrial revelava, a preços constantes de 1970, uma elevação de 15,3%, em 1977, relativamente ao ano anterior. Alguns indicadores eram responsáveis pelo prodígio. Em 1977, Minas respondia por 45% da produção nacional de aço em lingotes; 45,4% do total de laminados; e 62,6% do ferro gusa produzido. O setor automobilístico, quando a Fiat iniciava as suas operações em solo mineiro, produzira 9.500 veículos em 1976. No ano seguinte, o resultado saltava para 65.000 unidades i. Já a produção de cimento havia crescido 14,3%, no período 1976/1977, atendendo a 33% do consumo nacional i.

Em outros segmentos o governo também tinha o que mostrar. Criou a Secretaria de Ciência e Tecnologia e ainda a Comissão de Política Ambiental, a COPAM, para combater os problemas ambientais; e estava em andamento o Programa Especial de Desenvolvimento dos Cerrados, do Governo Federal, com o apoio de Minas.

Projeção nacional

Aureliano, que certa vez afirmou: “Nós, mineiros, não somos tímidos. Somos prudentes. A timidez é a incapacidade de tomar decisões. A prudência decide na hora certa”, nasceu em Três Pontas, cidade do Centro-Sul de Minas, em 13 de janeiro de 1929. Mas foi em Itajubá, cidade próxima à fronteira com São Paulo, que estudou Engenharia Eletromecânica e deu os primeiros passos na vida profissional e política. Era conhecido como Aureliano Chaves, nome pouco comum e provavelmente inspirado no comandante militar Aureliano, que governou o Império Romano entre 270 e 275 d.C.

Em sua carreira política, Aureliano também esteve ligado à caserna. Foi um dos líderes civis que estreitamente conviveu com a ala mais branda dos militares no centro do poder, a partir do golpe de 1964. Ala liderada em grande parte pelo general Ernesto Geisel, presidente da República entre 1974 e 1979, que o apoiou na indicação para o Governo de Minas e, posteriormente, para ocupar a Vice-Presidência, durante o governo do general Figueiredo, que sucedeu o próprio Geisel.

com Francelino Pereira
Renato Cobucci / Acervo Hoje em Dia

Com o advento do período militar, quando os partidos tradicionais foram extintos, Aureliano se filiou à ARENA, fundada em abril de 1966 para dar sustentação política ao governo. Já como vice-presidente, ele, com o fim do bipartidarismo em 1979, se filiou ao Partido Democrático Social - PDS. Foi o terceiro civil mineiro a ocupar o posto de vice-presidente no período militar i.

Aureliano, acreditando que “quem não ouve com paciência não decide com precisão”, foi vice-presidente entre março de 1979 e março de 1985. Indiscutivelmente, foi uma das personalidades políticas mais lúcidas e corajosas ao longo do Governo Figueiredo. A sua participação foi decisiva para derrubar resistências e aplainar o caminho de retorno à democracia. Ele ocupou a Presidência diversas vezes, sempre se mostrando ético e socialmente responsável. Como em 1981, quando o presidente Figueiredo sofreu um enfarte e ele assumiu por 49 dias. Ou em 1983, quando ficou aproximadamente um mês no comando da Nação, devido a novos problemas de saúde do titular i.

Naqueles tempos, a economia já chafurdava na chamada “década perdida”. A inflação andava a galope. E a opinião pública se impacientava com o prolongado regime autoritário. Novas eleições, mesmo indiretas, estavam à vista. Tudo indicava que já se esgotava a safra dos generais presidentes. Aureliano, com arrojo e estrategicamente, defendeu a campanha Diretas Já, que reunia milhares de pessoas em manifestações organizadas pela oposição. A campanha exigia as eleições presidenciais por via direta i e, na ocasião, ele disse: “Mineiro não é de ir para a rua. Quando vai é porque está querendo alguma coisa”. O presidente Figueiredo, confrontado com a posição do vice, o censuraria publicamente.

Quando a campanha não se viabilizou, ainda em 1984, Aureliano se colocou à disposição para ser o candidato do PDS à Presidência, juntamente com Paulo Maluf, Mário Andreazza e Marco Maciel. Aureliano e Marco Maciel, entretanto, retiraram os seus nomes da disputa e, mesmo sem contar com a simpatia da direção do PDS e da opinião pública, Maluf venceu Andreazza na convenção do partido i. Assim, políticos experientes, como Aureliano, Maciel, Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bomhauser, Francelino Pereira e José Sarney, decidiram deixar o PDS e formar uma frente liberal. Em seguida, a frente liberal - que viria a se transformar no Partido da Frente Liberal - PFL, e ter como presidente de honra o próprio Aureliano Chaves -, uniu-se ao PMDB para formar a Aliança Democrática i.

A aliança lançou o nome do governador peemedebista Tancredo Neves à Presidência da República, para concorrer na eleição indireta no Colégio Eleitoral i. O político mineiro venceu a disputa, batendo Maluf, mas pouco antes de assumir a Presidência ficou gravemente doente e morreu, deixando a Nação perplexa. Assumiu então, em 15 de março de 1985, o vice José Sarney, que manteve o convite de Tancredo para que Aureliano Chaves assumisse o Ministério das Minas e Energia, pasta que ocupou entre 1985 e 1988.

Aureliano deixou o Ministério para emplacar o seu nome na campanha presidencial de 1989, como candidato do PFL, tendo como vice Cláudio Lembo, de São Paulo. Entretanto, a campanha de Fernando Collor de Melo, jovem e carismático, concorrendo por uma legenda inexpressiva, o Partido da Reconstrução Nacional - PRN, e disputando mais de perto com o candidato do Partido dos Trabalhadores - PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e Leonel Brizola, do Partido Democrático Trabalhista - PDT, tomou a cena. O alagoano, “caçador de Marajás”, encantava o público e absorvia a mídia. O barco do PFL “vazou água i” e muitos afiliados aderiram a Collor. Sem apoio, Aureliano obteve apenas 0,9% dos votos, ficando em oitava posição. Assim, decepcionado, abandonou a carreira política para se dedicar ao cultivo de café e à pecuária bovina.

Aureliano, para quem “má notícia não se dá com antecedência”, era um nacionalista convicto. Quando ministro fortaleceu o Pró-Álcool - o programa brasileiro para a produção de etanol - e, mais tarde, tornou-se crítico da privatização das empresas estatais, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995/2003).

Engenheiro e político

Aureliano Chaves era o mais velho de uma família de sete irmãos e o único que se embrenhou na atividade política. Era filho do cirurgião dentista José Vieira de Mendonça e de dona Luzia Chaves de Mendonça. Cursou o primário na Escola Professora Maria Augusta Vieira Correia e o colegial no Ginásio Municipal São Luiz, ambos em Três Pontas. Quando já se encontrava na adolescência mudou de cidade para cursar o científico - correspondente hoje ao ensino médio do 2º grau - no Colégio de Itajubá. Em seguida, ingressou no Instituto Eletrotécnico, atual Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI.

A política já o empolgava. Como presidente do Diretório Acadêmico do instituto, liderou, em 29 de maio de 1952, uma comissão de 42 acadêmicos em um encontro com o presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio. A comissão pedia a intervenção do governo para a salvação do instituto, então em precária situação financeira. A exposição de Aureliano foi convincente. Getúlio encaminhou o processo de federalização, que foi sancionada no breve governo de Nereu Ramos.

Com Pio Canedo, que foi vice de Israel Pinheiro
Acervo Hoje em Dia

Segundo o jornalista Sebastião Nery, que o conheceu na juventude, Aureliano era um “estudante já com cara de professor” e sempre com “livros embaixo do braço, nas reuniões e congressos da nossa União Estadual de Estudantes de Minas”. Diz ainda: “Nascido e criado dentro da UDN, desde a universidade foi um caloroso e participante aliado das esquerdas nas campanhas nacionalistas de defesa do petróleo, dos minérios, das riquezas nacionais”.

Aureliano se formou engenheiro em dezembro de 1953. No ano seguinte, no dia três de maio de 1954, se casou no religioso na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), com a educada e graciosa jovem Minervina Sanches de Mendonça, a Dona Vivi, itajubense, filha de Humberto Sanches e de Guiomar Schimidt Sanches. Do casamento nasceram três filhos: Maria Guiomar Sanches de Mendonça, Antônio Aureliano Sanches de Mendonça e Maria Cecília Sanches de Mendonça.

O jovem engenheiro atuou inicialmente em obras rodoviárias, entre as quais a ligação de Itajubá a São Bento do Sapucaí; e o serviço de terraplenagem de Cumbica, em São Paulo. Trabalhou também no Departamento de Obras da Prefeitura de Itajubá, onde adquiriu experiência em pavimentações, pontes rurais e obras de saneamento. Em 1955 tornou-se professor da Universidade Federal de Engenharia de Itajubá, onde colaborou, apesar da intensa atividade política, até 1982. Aureliano Chaves foi ainda professor em Belo Horizonte do Instituto Politécnico da Universidade Católica de Minas Gerais, hoje PUC-MG.

A primeira disputa eleitoral de Aureliano Chaves ocorreu em 1958, tendo sido reeleito deputado estadual em 1962. Tornou-se líder da bancada da UDN na Assembléia Legislativa e líder do governador Magalhães Pinto que depois o indicaria para a diretoria técnica das Centrais Elétricas Brasileiras - Eletrobrás. Sempre no Governo Magalhães Pinto, assumiu em 1964 a Secretaria de Educação e depois a Secretaria de Viação e Obras Públicas. Em 1966, se elegeu deputado federal pela ARENA. No ano seguinte, representou o Brasil na Conferência sobre Energia Nuclear, em Viena, Áustria.

Em 1968, ele votou contra o pedido de autorização feito pelo governo militar para processar o deputado Márcio Moreira Alves, de forma a cassar o seu mandato. A negativa do Legislativo quanto à medida foi o estopim para a edição do AI 5, decreto que tornou o regime ainda mais duro. Neste episódio, Aureliano Chaves deu mostras de sua independência e de seu caráter ao ser o orador em uma solenidade em homenagem a Djalma Marinho, afastado da Presidência da Comissão e Justiça da Câmara dos Deputados, por também ser contra o processo de cassação.

Em 1970, Aureliano Chaves foi reeleito deputado federal. O Brasil vencia neste ano a Copa do Mundo no México, conquistando o sonhado tricampeonato. A alegria popular era extraordinária. Ele então declarou à imprensa: “O futebol é o melhor antídoto contra o comunismo”.

Na fazenda, em Três Pontas
Margarida Hallacoc / Acervo Hoje em Dia

Na Câmara, foi membro das comissões de Educação, de Minas e Energia e de Ciência e Tecnologia. Na época em que presidia a Comissão de Minas e Energia da Câmara, conheceu o então presidente da Petrobrás, general Ernesto Geisel, de quem se tornou amigo e interlocutor sobre questões políticas i ou ligadas à energia, petróleo e recursos naturais.

Tornou-se vice-presidente da Comissão Especial de Política Ambiental da Câmara. Mais ainda, vice-presidente do Instituto de Pesquisas, Estudos e Assessoramentos do Congresso Nacional - IPEAC, presidente de várias comissões mistas e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Energia Nuclear. Aureliano Chaves também foi membro do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e do Comitê Nacional de Grandes Barragens.

Em 1974, ele foi escolhido oficialmente pela Câmara dos Deputados para saudar, em nome da instituição, o general Geisel pela sua posse como presidente da República. Geisel, que admirava o seu conhecimento em várias áreas estratégicas para o desenvolvimento, o indicou para o Governo de Minas. Entretanto, Magalhães Pinto, liderando partidários da antiga UDN, apontava o nome de José Monteiro de Castro, ex-secretário e colaborador na preparação do golpe de 1964, como o mais indicado para o cargo.

Aureliano emplacou a sua indicação na Assembléia Legislativa, mas o processo aparentemente resultou em seu rompimento com o antigo padrinho político Magalhães Pinto. O novo protetor, Geisel, também o indicou para ser vice de Figueiredo. Aureliano era então amigo da família de Figueiredo, segundo testemunho de Francelino Pereira. Assim, ele deixou o Palácio da Liberdade para assumir a Vice-Presidência da República.

Ao longo do tempo, entretanto, a relação entre Figueiredo e Aureliano se fragilizou, sobretudo quando este ocupava interinamente a Presidência, trabalhando até tarde e recebendo grande número de políticos, com ampla repercussão na imprensa i.

Aureliano era membro da Academia Mineira de Letras. Escreveu vários trabalhos, destacando-se estudos técnicos ou científicos, entre os quais “Máquinas Elétricas”, “Linhas de Transmissão”, “Energia Nuclear”, “Educação e Desenvolvimento” e “Política Econômica dos Governos da Revolução”.

Aureliano Chaves, diabético, faleceu em 30 de abril de 2003, em Belo Horizonte.

Levindo Ozanan Coelho
Acervo Hoje em Dia
1978 • 1979
Ozanan Coelho
5 jul 1978 a 15 mar 1979
Partido: ARENA
Tradição familiar

Levindo Ozanan Coelho, cuja família tinha forte tradição política em Ubá, na Zona da Mata, assumiu efetivamente o governo de Minas quando o titular, Aureliano Chaves, deixou o Palácio da Liberdade para concorrer à Vice-Presidência da República na chapa do general João Baptista Figueiredo. Em tempos de “abertura lenta, gradual e segura”, Figueiredo e Aureliano, candidatos da ARENA, enfrentariam no Colégio Eleitoral, em outubro de 1978, o anticandidato lançado pelo MDB, general Euler Bentes Monteiro, vencendo a disputa por 355 votos a 226 i.

No Governo de Minas, o ex-pessedista Ozanan Coelho deu continuidade aos projetos traçados pelo antecessor Aureliano Chaves, dedicando-se, com especial atenção, à abertura de escolas estaduais em todos os municípios mineiros. Nesse curto período de governo, de pouco mais de sete meses, ele enfrentaria também uma das maiores catástrofes que Minas já passara, provocada pelas chuvas e inundações da virada do ano de 1978 e que deixaram milhares de desabrigados. O governo, entretanto, respondeu com rapidez para socorrer as populações atingidas, reabrir estradas e normalizar o abastecimento das cidades i.

Na cultura, merece destaque a realização pelo seu governo da edição de parte das pesquisas históricas sobre a música mineira, realizadas pelo musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt Lange. Na verdade, Lange executou um amplo trabalho de resgate da musicologia de toda a América Latina e, resultado da pesquisa em Minas, seria lançado, em 1979, “História da música nas irmandades de Vila Rica. Freguesia de Nossa Senhora do Pilar”. De importância única para o estudo da singularidade musical mineira, o acervo pessoal de Curt Lange está hoje integrado à UFMG.

Trajetória política

Filho do senador Levindo Eduardo Coelho e de Antonina Gonçalves, Ozanan nasceu em Ubá em 17 de maio de 1914, quando a Primeira Guerra já começava a conflagrar o mundo. Fez todo o curso de Humanidades no colégio estadual cujo nome, Raul Soares, homenageia o ex-presidente do Estado também natural de Ubá. Concluídos os estudos secundários, seus pais o mandaram para Belo Horizonte, onde se formou pela Faculdade de Direito em 1936. Durante o curso, Ozanan deu os seus primeiros passos políticos, sendo membro do diretório estudantil e presidente do Partido Reivindicador i, criado pelos alunos.

Com o então governador de Alagoas, Divaldo Suruagy
Acervo Hoje em Dia

Embora funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte, onde ingressou por meio de concurso público, Ozanan retornou à cidade natal dois anos depois de formado e começou a atuar como advogado. Logo, foi nomeado promotor da comarca de Bom Sucesso, sendo indicado pelo interventor de Minas, Benedito Valadares, prefeito de Ubá no final de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Sua administração seria marcada pelas ações na educação, na saúde e na melhoria das estradas. Ozanan deixou a Prefeitura com o fim do Estado Novo, sendo eleito deputado estadual Constituinte pelo recém-criado PSD, ao mesmo tempo em que seu pai, Levindo Coelho, elegia-se senador por Minas Gerais.

Começaria aí uma longa carreira parlamentar, apenas interrompida em 1984 com o seu falecimento. Durante a primeira legislatura, ele acompanhou a dissidência pessedista liderada por Carlos Luz, também político da Zona da Mata, que daria a vitória a Milton Campos, candidato da UDN, na disputa pelo Governo de Minas. Na eleição seguinte, ele ficou na 1º suplência, mas assumiu o mandato em 1953. Depois de ser novamente eleito para a terceira legislatura estadual, Ozanan tornou-se, em 1958, deputado federal, sendo reeleito sucessivamente até 1970.

Como a maioria das lideranças políticas mineiras, tanto da UDN quanto do PSD, ele apoiaria em 1964 o movimento pela deposição do presidente João Goulart e, com o fim dos partidos e a instituição do bipartidarismo em 1965, filiou-se à ARENA. Em sua atuação na Câmara dos Deputados, Ozanan Coelho integrou as comissões de Finanças, Agricultura e Relações Exteriores e foi membro da delegação brasileira à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas - ONU.

Após deixar o Governo de Minas em 1979, Ozanan foi convidado pelo general presidente Figueiredo para assumir o cargo de ministro do Tribunal Superior do Trabalho - TST, mas recusou o convite, justificando o seu “apego às urnas populares i”. Com o fim do bipartidarismo naquele ano, ele ingressou no PDS e em 1982 foi eleito para um novo mandato na Câmara dos Deputados. Dois anos depois, pouco antes de falecer em 30 de março, Ozanan Coelho fez uma de suas últimas manifestações políticas, anunciando o voto na emenda Dante de Oliveira, que reinstituía as eleições diretas para presidente da República.

Ozanan Coelho foi casado com Cybele Pinto Coelho. Tiveram cinco filhos, entre os quais Saulo Levindo Coelho, ex-deputado federal.

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