
“Minas em ritmo de Brasília” foi o slogan da campanha relâmpago que levou Israel Pinheiro da Silva ao Governo de Minas para o período de 1966 a 1971; duros anos da ditadura militar que se instalara no País em 1964. Engenheiro e político do Partido Social Democrático, filho do ex-presidente de Minas, João Pinheiro da Silva, Israel aceitara o desafio a apenas 23 dias das eleições, depois que o candidato do partido, deputado federal Sebastião Paes de Almeida, ex-ministro da Fazenda do Governo JK, teve sua candidatura cassada, sob a alegação de abuso do poder econômico em eleição anterior.
Administrador brilhante, Israel Pinheiro, que já fora secretário estadual da Agricultura, deputado federal em três legislaturas e Constituinte em 1946, fundador da Companhia Vale do Rio Doce e construtor de Brasília, faria um governo voltado para o desenvolvimento econômico, seguindo os passos do pai estadista. Agora, sob o clima hostil dos militares desgostosos com a vitória do PSD de Juscelino em Minas.
A candidatura e posse
Com o golpe de 1964, as eleições para a Presidência da República e governos estaduais, marcadas para três de outubro de 1965, transformaram-se em discórdia nos quartéis, entre a chamada linha dura, que queria suspendê-las, e o grupo do presidente Castelo Branco, defensor das eleições, desde que sem a participação dos políticos ligados ao governo deposto de Goulart. Na verdade, todos os militares temiam a volta do ex-presidente JK e a UDN, opositora do PSD, alimentava isso, interessada em ganhar o poder.
Cassados os direitos políticos do ex-presidente Juscelino em junho de 1964, tem início uma reforma política restrita, mas que acabou por adiar as eleições presidenciais para 1966, mantendo as estaduais em três de outubro de 1965, sob a inquietação da linha dura.

Veio, então, a manobra da Lei das Inelegibilidades, que afastava postulantes indesejáveis, vetando, entre outros impedimentos, quem já tivesse “comprometido a lisura e a normalidade da eleição através do abuso do poder econômico”. O projeto foi aprovado a nove de julho de 1965, sob empenho pessoal de Castelo Branco. Lançada a candidatura de Sebastião Paes de Almeida na Convenção do PSD, em 18 de julho, Castelo tinha então a possibilidade de impugná-la, tão logo fosse registrada a chapa. Mas preferia que a UDN o fizesse.
Recém-chegado na política e ligado a JK, Paes de Almeida era empresário de posses e fora eleito o deputado federal mais votado do PSD no Estado em 1962, lançando mão de fartos recursos financeiros na campanha. Com apoio de vários diretórios municipais, seu nome para o governo surpreendeu a cúpula do PSD, mas esta preferiu não ir contra suas bases i, mesmo sob os riscos que Paes de Almeida representava junto aos militares. Às vésperas da convenção, o arguto Benedito Valadares, presidente do partido, ficou adoentado em Brasília - para alguns, providencialmente - e passou o comando ao vice Israel Pinheiro. A convenção não só confirmou Paes de Almeida, como acirrou os ânimos nos meios militares com discursos oposicionistas. Para definir o vice, a solução foi dar a tarefa à bancada estadual do PSD, que escolheria um dos seus. Foi vitorioso o líder da Minoria, Pio Canêdo e obteve o apoio de Paes de Almeida i.
Registrada, a chapa lançou-se em campanha, empolgou o eleitorado e, ante a perspectiva de vitória, a UDN pediu a impugnação de Paes de Almeida, por abuso de poder econômico em eleição anterior. O Tribunal Regional Eleitoral negou, mas o Tribunal Superior Eleitoral julgou procedente o pedido e cassou a candidatura a sete de setembro. Restavam menos de 30 dias de campanha.
Movimentaram-se então as lideranças pessedistas mineiras. Paes de Almeida defendeu uma consulta a JK e, ao lado de Pio Canêdo, telefonou para o líder exilado em Paris, pedindo-lhe orientação. Juscelino recomendou manter Pio Canêdo na vice para não abrir disputa e lançar Israel Pinheiro por ser um nome nacional, favorecendo a curtíssima campanha que teriam. Sem desavenças, o PSD partiu unido em torno de Israel, ganhou o apoio do PTB e homologou a nova chapa.
Israel venceu Roberto Resende, da UDN, secretário da Agricultura e primo de Magalhães Pinto, por 937.555 votos (53,21%) a 793.409 (45,03%). Na Guanabara, também vencia o candidato Negrão de Lima, mineiro do PSD, desagradando os militares. Seriam graves as respostas da ditadura aos resultados indesejados e tensos os três meses que faltavam até a data prevista para a posse.
JK chegou ao Brasil logo depois de abertas as urnas, acirrando a reação militar e a resistência da UDN à vitória do PSD. Para dar posse aos eleitos, Castelo Branco cedeu às pressões e editou o AI 2, a 27 de outubro de 1965, extinguindo os partidos políticos, tornando indireta a eleição para Presidente da República e dando-lhe poderes excepcionais. Em Ato Complementar, criou dois partidos: a ARENA, governista, e o MDB, de oposição. É nesse contexto ditatorial que Israel Pinheiro governaria.
O engenheiro premiado
Israel Pinheiro da Silva nasceu a quatro de janeiro de 1896 em Caeté, quinto dos doze filhos de João Pinheiro da Silva e de Helena de Barros. João Pinheiro foi um dos fundadores do Partido Republicano Mineiro, ainda no regime monárquico, e presidente eleito de Minas para o período de 1906 a 1910, com o mandato interrompido pela morte súbita, em 1908. Helena de Barros era paulista, filha de um comissário de café no interior de São Paulo.
Israel aprendeu as primeiras letras em Caeté. João Pinheiro havia deixado a política temporariamente e se instalado na cidade, terra de sua mãe. Com sua posse na Presidência do Estado, a família mudou-se para o Palácio da Liberdade e Israel, aos dez anos, foi estudar no Ginásio Mineiro. O pai morreu e deixou a viúva Helena, com 12 filhos, em situação financeira delicada, porque a fábrica de cerâmica que João Pinheiro fundara em Caeté estava endividada e se ressentia da ausência do empresário. Assim, contou com a ajuda de amigos que fizeram uma subscrição para construir uma casa, onde a família foi morar, na avenida Liberdade, em Belo Horizonte, hoje João Pinheiro. Foi também um amigo da família que se ofereceu para custear os estudos do pequeno Israel, até a faculdade.
Em 1909, com 13 anos, Israel foi interno no colégio jesuíta Santo Estanislau, hoje Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), onde seguiu o secundário. Ingressou, depois, na Escola de Minas de Ouro Preto e se graduou em Engenharia de Minas, Metalurgia e Civil, em 1919. Durante todo o curso, o rapaz discreto e inteligente foi o primeiro aluno da turma, sendo ao final premiado com um estágio na Europa. Por dois anos, conheceu a França, Alemanha e Inglaterra, realizou estudos de aperfeiçoamento em Siderurgia e desenvolveu um tubo de aço sem costura, que patenteou na Alemanha.
De volta ao Brasil, assumiu com o irmão Paulo a direção da empresa, enquanto negociava a patente de seu invento. A Usina de Tubos Bárbara interessou-se, pagou royalties ao autor, mas não chegou a produzi-lo. Buscava apenas evitar uma concorrência, deixando o jovem Israel decepcionado com a mentalidade do empresariado brasileiro e com a expectativa de que a novidade gerasse ganhos a Caeté. i

Nessa mesma época, Israel já ingressava na política, como uma vocação familiar, que Helena Pinheiro estimulava ao transmitir aos filhos, com muito gosto, os pensamentos do pai. Elegeu-se vereador em 1922 e presidente da Câmara Municipal, com funções de agente executivo. No ano seguinte, impressionou o presidente do Estado, Raul Soares, que o atraiu para o PRM, após ouvi-lo nos debates do Congresso das Municipalidades Mineiras.
Impressionava também as moças, embora não fosse bonito, conta a irmã Ruth ao biógrafo Alisson Vaz, ao rememorar alegres saraus que aconteciam na casa da Avenida João Pinheiro. “Yeyé”, como era tratado pela família, era espirituoso e de conversa agradável e namorou muito até conhecer Coracy de Mendonça Uchoa, dez anos mais nova, e se apaixonar. Casaram-se em 27 de setembro de 1924 e tiveram nove filhos.
Na década de 1930, Israel foi nomeado membro do Conselho Consultivo do Estado por Olegário Maciel e depois convidado pelo interventor Bendito Valadares para a poderosa Secretaria de Agricultura, Indústria, Viação e Obras Públicas. “A legítima política, no verdadeiro sentido da palavra, só pode ser estável, quando construída sobre bases econômicas i”, diria no discurso de posse, em 21 de dezembro de 1933, já em clara demonstração do pensamento desenvolvimentista que marcaria sua trajetória. Ali, deu continuidade às obras do pai, e inovou. Deixou marcas, também, do estilo veloz de administrar, duro no trato diário, sempre pronto para dizer não com franqueza.
Um plano de desenvolvimento para Minas
Pouco depois de assumir a secretaria, Israel pediu a Valadares que desmembrasse a Agricultura da Viação e Obras Públicas. Entendia que o grave problema do escoamento da produção agrícola, a falta de boas rodovias e ferrovias complementares, deveria ser atacado separadamente. Em abril de 1935, foram então criadas as secretarias de Agricultura, Indústria, Comércio e Trabalho e a de Viação e Obras Públicas.
Feita a reforma, ainda em 1935, Israel conclui o seu Plano de Desenvolvimento Econômico, que seria publicado em 1937, o primeiro planejamento feito no Estado. Tinha ênfase na agricultura, o Estado como agente de fomento, e incluía a educação para o ensino agrícola e industrial, com fazendas-escola e fazendas-fábrica. Em 1939, foi inaugurada por Getúlio a Fazenda-Escola Florestal, modelo destinado à capacitação de administradores. Em 1940, foi a vez da Escola de Indústria Agrícola Cândido Tostes, em Juiz de Fora, inaugurada com a presença de técnicos dinamarqueses, que montaram o frigorífico, a cura de queijos e laboratórios, tornando-se depois professores. Em Pará de Minas, ele criou a Fábrica-Escola Benjamin Guimarães, destinada a crianças e adolescentes órfãos.

Também prevista no plano, Israel inaugurou a Rádio Inconfidência em 1936, para cumprir o papel de divulgar novas técnicas agrícolas aos produtores. Nasceu ali o programa A hora do fazendeiro, que ficou no ar de 1936 a 1978. A emissora tinha seus estúdios em luxuoso prédio na Feira Permanente de Amostras, que Israel construiu e inaugurou naquele ano, onde hoje é o Terminal Rodoviário de Belo Horizonte.
Em 1941, ele criou a Cidade Industrial, mais um sonho de seu pai, que deslancharia no Governo JK. No turismo, ainda incipiente, iniciou a construção do complexo da Estância Mineral de Araxá, com o monumental hotel e a ligação com os grandes centros por trens, por rodovia e pela linha aérea da Panair do Brasil. Apesar da resistência de Valadares em liberar tantos recursos, deixou as obras adiantadas para serem inauguradas em 1944.
Israel Pinheiro deixou a secretaria, após longos oito anos, em 1942, a pedido de Getúlio Vargas, para assumir a Presidência da Companhia Vale do Rio Doce, que ajudara a criar como membro da Comissão de Acordos de Washington, nomeado pelo presidente um ano antes. Permaneceu à frente da empresa até fevereiro de 1945, quando retornou a Belo Horizonte, seduzido pela proximidade das eleições anunciadas nas reformas do Estado Novo, que acabaria derrubado. Nas eleições, o PSD venceu por larga margem em Minas e elegeu 20 deputados à Constituinte, entre eles, Israel.
Por dez anos, ele atuaria na Câmara dos Deputados, dedicando-se mais às comissões técnicas do que ao plenário. Bateu-se contra o nacionalismo, considerando que o País precisava de capital e técnicas estrangeiras para se desenvolver. Defendeu também o projeto da nova capital, em 1950, como impulsionador do desenvolvimento do interior, sugerindo que se instalasse no Triângulo Mineiro. Na Constituinte, já havia feito a proposta, em emenda derrotada, indicando, inclusive, o tempo máximo que poderia ser gasto na mudança:
“...um qüinqüênio, a mudança da capital tem que ser obra de um governo e, se passar de um para outro, ela não se concretizará i”.
Construindo Brasília

Eleito, Juscelino Kubitschek incluiu a transferência da capital para o Planalto Central entre suas metas prioritárias. No dia 18 de abril de 1956, assinou o projeto de Lei, submetendo ao Congresso Nacional a mudança da capital e a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital - Novacap, para executar a edificação da cidade. Era preciso escolher um nome para presidi-la e nenhum perfil se encaixava mais do que Israel Pinheiro, que já se mostrara administrador competente, era engenheiro e político com boas relações no Congresso, de onde certamente viriam resistências.
Entretanto, Israel presidia a Comissão de Finanças e Juscelino estava constrangido de pedir que renunciasse ao mandato. Conta Israel Pinheiro Filho i que o presidente chamou o pai para uma conversa e embarcaram juntos no avião do Rio para Belo Horizonte. Mas Juscelino não tocava no assunto. De repente, Israel não agüentou mais:
“Olhe, Juscelino, não precisa falar nada, eu aceito”.
Nomeado presidente da Novacap em 24 de setembro, ele foi o “grande esteio da construção de Brasília”, nas palavras de Ronaldo Costa Couto, em “Brasília Kubitschek de Oliveira”. Logo adotou um ritmo de trabalho alucinante. Era preciso fazer tudo, começando do nada. “Cedo, muito cedo, Israel já estava a correr os canteiros de serviço, a tomar as providências mais urgentes, a cuidar dos transportes e das moradias. Sem burocracia, assumia a responsabilidade de tudo”, lembra Oscar Niemeyer. Tinham divergências os dois, especialmente quanto aos prazos. “Israel, com boas razões, decidido a mantê-los, eu, como arquiteto, defendendo a minha arquitetura”.
A Novacap evitou construir diretamente, cabendo-lhe acompanhar e fiscalizar as obras executadas por empresas contratadas. Em novembro de 1956, havia 232 operários em toda a área e em fevereiro de 1957 o vasto canteiro de obras contava cerca de três mil operários, os candangos, e mais de 300 máquinas. Tão logo as condições melhoraram, Israel foi morar com a família na Granja do Ipê.
Ao final de 1958, estavam concluídas as obras da praça dos Três Poderes e dos edifícios ministeriais. No início do ano seguinte, a rodovia Belém-Brasília era inaugurada e as estradas para Fortaleza e Belo Horizonte entravam em fase final, estabelecendo-se a ligação direta entre o Planalto Central e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Sul. Quanto às ligações telefônicas, Israel abriu concorrência internacional em 1959 para a aquisição de equipamentos e instalação de sistemas de microondas. Era preciso ligar Brasília ao mundo antes da inauguração, que ocorreria a 21 de abril de 1960.

Israel Pinheiro foi empossado prefeito, permanecendo à frente da nova capital até 31 de janeiro de 1961, quando assumiu o novo presidente Jânio Quadros e o substituiu.
O sonho de governar Minas
De volta a Minas, Israel foi administrar a fazenda recebida em herança do sogro, em Paracatu, e embora vice-presidente do PSD mineiro, manteve-se afastado de atividades políticas. Não participou dos acontecimentos que resultaram no golpe de 1964. Alvo de denúncias, enfrentou inquéritos relativos à sua gestão na construção de Brasília e foi absolvido em todos.
Voltaria, talvez por força do destino, nas eleições de 1965 que o levaram ao Palácio da Liberdade. Em seu discurso de posse, a 31 de janeiro de 1966, falou novamente do sonho de prosseguir a obra do pai:
“Arrebatado à vida em meio ao governo, sua atuação rasgou caminhos e indicou rumos. Suas obras e suas idéias permanecem vivas e oportunas, constituindo verdadeiro evangelho republicano, em que tenho buscado orientação segura e vigorosa inspiração i”.
Seu governo passou por três generais-presidentes e a Junta Militar. Procurava conviver bem, seguir diretrizes, sem submissão absoluta. “Ele mantinha a dignidade do cargo, não provocando, não admitindo represálias contra o Estado e não permitindo que nós agredíssemos o Governo Federal”, definiu Pio Canêdo. Por ocasião da edição do AI 5 e fechamento do Congresso, Minas foi um dos poucos estados que manteve aberta a Assembléia Legislativa, graças a seus entendimentos com o presidente Costa e Silva, que “estranhou”, mas acatou a exigência do governador. Com isso, Israel jamais foi perdoado pelo general Médici, então chefe do SNI, que assumiria o governo mais tarde e de quem enfrentaria retaliações econômicas a Minas. Da Junta Militar, sofreu ameaça de intervenção e depois teve o nome do filho, deputado Israel Pinheiro Filho, incluído em uma lista de cassados que acabou não se consumando.
Aderiu à ARENA em função dos interesses que representava e para atenuar ressentimentos gerados por sua vitória, mas enfrentou dificuldades em convencer correligionários. Decidiu estabelecer limites precisos para sua atuação, relata o historiador Alisson Vaz: “de um lado, ficariam as questões administrativas e de Estado, das quais se encarregaria; e de outro, as questões políticas, que ficariam afetas ao vice Pio Canêdo, hábil e paciente negociador”. Assim, coube a Canêdo, a “engenharia política” de formar a ARENA em Minas, abrigando interesses e perfis díspares, como a UDN e o PSD.

Contudo, embora avesso às manobras políticas cotidianas, Israel era também um estrategista. Precisava de recursos federais para o Estado. Mesmo tendo sofrido restrições, conseguiu dotar Minas de uma estrutura de planejamento e de infra-estrutura energética e rodoviária. Tão logo assumiu, criou o Conselho Estadual de Desenvolvimento, com a função de coordenar investimentos, e estimulou o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais - BDMG a atuar também no planejamento, além de ser órgão financiador. Criou a Fundação Rural Mineira - Ruralminas, a Fundação João Pinheiro e o Instituto de Desenvolvimento Industrial - Indi.
Ao deixar o governo, já estavam em implantação os distritos industriais de Montes Claros e Pirapora, na área mineira da Sudene i, e de Juiz de Fora e Uberaba. Revigorou o cultivo do café, com um plano piloto do BDMG no Sul de Minas, que financiou replantios. Ponto alto de seu governo foi ainda a cultura, com a criação da Fundação Palácio das Artes, hoje Clóvis Salgado, cujo teatro, iniciado na gestão JK, foi então inaugurado. A seu pedido, o diplomata e poeta Vinícius de Moraes veio a Minas estudar a criação do festival de inverno de Ouro Preto. No turismo, restaurou os hotéis de Araxá, Poços de Caldas, Diamantina, Ouro Preto e Barbacena, onde instituiu o primeiro hotel-escola do País.
Ao final do governo, Israel viveria uma tragédia. Por erro do engenheiro calculista, o Parque de Exposições da Gameleira, anunciado para substituir a Feira Permanente de Amostras, desabou em fevereiro de 1971, deixando 59 operários mortos. A obra, projetada por Oscar Niemayer, acabou não sendo concluída.
Seu governo fez, ainda, o Plano de Telecomunicações, concorreu para a instalação de observatórios astronômicos na UFMG e instituiu a Fundação Pandiá Calógeras, para desenvolver programas educativos de rádio e televisão. Se não pôde realizar o desenvolvimento na magnitude que sonhava, preparou o futuro agrícola e industrial do Estado.
Aos 77 anos, Israel faleceu em Belo Horizonte, dois anos após deixar o governo, a seis de julho de 1973.